Grenal 393: Prevaleceu a organização e experiência

Elano marca o gol em seu primeiro Grenal, o único do clássico 393, antes de sair com dores aos 15 minutos da primeira etapa – Foto: Mauro Vieira / Agência RBS

Em um clássico, a vitória passa pela organização e experiência de um dos lados, não importando se sua torcida for minoria na casa do adversário. Sobretudo, nesse cenário, quando ocorre um gol logo nos minutos iniciais, podemos ter ali a definição de um duelo. Este foi o caso do Grenal 393, realizado em um Beira-Rio em obras, no fechamento do primeiro turno do Campeonato Brasileiro 2012. O Grêmio do técnico Vanderlei Luxemburgo, antes favorito por já ter um padrão de jogo, ratificou o bom momento, enquanto o Internacional segue oscilando sob comando de Fernandão.

O gol gremista nasceu logo aos sete minutos de bola rolando, após cruzamento de Anderson Pico para área colorada. A seguir, Juan tira a bola de cabeça, mas esqueceu de combinar com Muriel, que saiu mal no gol. Na sobra, Elano aproveitou o vacilo e a chutou para o fundo das redes na tarde chuvosa em Porto Alegre. O meia, porém, não teve muito tempo para comemorar, uma vez que sentiu dores no músculo adutor da coxa e deu lugar a Marquinhos aos 15 minutos. Sem o camisa 7, o Grêmio perdeu consideravelmente o poder de criação, facilitando para um leve domínio do Internacional nos minutos seguintes.

Gilberto Silva se recuperou da atuação ruim contra o Coritiba (Copa Sul-Americana) e venceu o duelo pessoal com Leandro Damião – Foto: Edu Andrade / Gazeta Press

No entanto, o sistema defensivo armado por Luxemburgo obteve êxito na maior parte do tempo e, quando falhava, contou com os erros de finalização do adversário e boas defesas de Marcelo Grohe. O arqueiro, inclusive, salvou o Grêmio em chute de Diego Forlan, cara a cara. Por sua vez, Gilberto Silva crescia sobre Leandro Damião, assim se destacando na partida, muito embora o terceiro cartão amarelo seja um prejuízo para o próximo compromisso com Vasco da Gama, fazendo, então, com que o técnico gremista pense em um substituto diante dos cariocas.

O segundo tempo começou com o mesmo roteiro da etapa inicial, com Internacional buscando a igualdade no placar e o Grêmio se defendendo. Como forma de amenizar o ímpeto colorado pelo gol de empate, Luxemburgo sacou Moreno para a entrada de Leandro, com a finalidade de evitar as subidas de Nei. Logo em seguida, Fernandão tirou Ygor para a inserção de Dagoberto na partida. Essas duas mudanças foram essenciais para definir o clássico, pois, por um lado, o jovem atacante deixava a defesa vermelha em atenção, enquanto o meio-campo colorado tinha sua força suprimida. Então a vitória tricolor se tornou questão de tempo, até o apito final de Leandro Vuaden.

Como não podia deixar de ocorrer em Grenais, o clássico 393 também teve seu empurra em empurra – Foto: Marcelo Oliveira / Agência RBS

O lateral-direito Pará merece uma citação pela boa atuação deste domingo, visto que é tão criticado, de forma desmesurada muitas vezes, pelos torcedores. Pela esquerda, Anderson Pico renasceu, parece mais maduro e disposto a não desperdiçar mais uma oportunidade no Grêmio. Hoje, ele é o titular no setor. No meio, Zé Roberto não deixou de mostrar sua categoria diferenciada, apesar de não desequilibrar ofensivamente, enquanto Kleber e Moreno lutaram perante a defesa colorada. No meio-campo, Fernando e Souza foram importantes para a marcação gremista.

A vitória no Grenal 393 passa pela cabeça de Luxemburgo, por saber preparar bem a equipe, não apenas para o clássico, mas ao longo do Brasileirão. Quando precisa mexer, o técnico consegue mudar o panorama de uma partida direto da casamata. Pelo lado do Internacional, Fernandão escalou o lateral-esquerdo Kleber no meio, posição a qual atuou quando jogava pelo Santos, mas preteriu Dátolo, o que provocou muitos questionamentos da torcida colorada.

Luxemburgo e seus comandados não terão tempo para comemorar a vitória perante o tradicional adversário, pois já nesta quarta-feira, receberão o Vasco da Gama, concorrente direto ao título e na manutenção do G-3 Foto: Lucas Uebel/Divulgação, Grêmio

Sobre os lances considerados polêmicos por alguns, não vi os pênaltis reivindicados pelo Internacional nos lances de Anderson Pico e Werley, por se tratarem de acidentais e sem influência decisiva nos respectivos lances. Tampouco achei justa a insinuação do diretor de futebol colorado, Luciando Davi, que o diretor-executivo do Grêmio, Paulo Pelaipe, pressionou Vuaden. Aliás, a resposta do dirigente gremista foi boa, com certa dose de provocação, mas também de coerência. Afinal, o árbitro poderia expulsar Juan, já amarelado, em falta considerada apropriada para uma nova advertência.

Méritos e deméritos a parte, o Grêmio dá um grande avanço na tabela com 37 pontos. Mesmo com a diferença na classificação dos líderes Atlético Mineiro (43 pontos) e Fluminense (42), a distância ainda não assusta. De quebra, a equipe alcança o G-3, grupo que verdadeiramente garante acesso à Libertadores. O próximo compromisso é justamente contra o Vasco da Gama, quarto colocado com 35 pontos.

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