Koff tem maior poderio que Odone perante os sócios

Paulo Odone e Fábio Koff são esperados para a eleição mais forte nas últimas décadas, justamente no último ano do Olímpico e a que abrirá a primeira gestão na Arena – Foto: Gazeta Press

A menos de um mês na primeira eleição presidencial, a ser realizada no Conselho Deliberativo no dia 25 de setembro, as peças no tabuleiro indicam o confronto mais agitado das últimas décadas no Olímpico. Cada vez mais crescem os rumores de que o ex-presidente Fábio Koff concorrerá ao posto de chefe máximo do clube, hoje pertencente a Paulo Odone, cogitado para reeleição. Nessa primeira etapa, na votação dos conselheiros, a previsão é de disputa equilibrada. No entanto, a vantagem do mandatário mais vitorioso do Grêmio ocorrerá no pátio, quando a decisão passará para as mãos dos sócios, em 20 de outubro.

O fator decisivo para Koff superar a Cláusula de Barreira, ou seja, 20% dos votos dos conselheiros, é o possível apoio do Movimento Grêmio Independente, que possui 56 parlamentares na totalidade de 315. Somado a isso, o ex-presidente gremista espera contar com apoios dos grupos Grêmio Vencedor, Grêmio Unido, Núcleo de Mulheres Gremistas, Grêmio Sempre, Grêmio Imortal, Sócios Livres e Grêmio do Prata, tendo assim aproximadamente 50 sufrágios a mais. Logo, a passagem no Conselho Deliberativo estaria viabilizada.

Aliados na eleição presidencial em 2010, Odone e Vicente Martins encerram a parceria com claras divergências, podendo ter reflexo no próximo pleito em 2012 – Foto: Arivaldo Chaves / Agência RBS

O Grêmio Independente foi, junto com Movimento Grêmio Novo, o principal aliado para a vitória de Odone no pleito de 2010, decidido no Conselho Deliberativo, diante do concorrente Airton Ruschel. No entanto, as divergências entre os dois grupos ocorria antes mesmo da posse do atual presidente. Um dos líderes do Grêmio Independente, Antônio Vicente Martins, queria assumir o Departamento de Futebol com dois assessores, posteriormente confirmados com José Simões (atual presidente da sigla) e César Cidade Dias. A ideia vinha contra os planos do Grêmio Novo, cujo objetivo era profissionalizar o setor.

Com as eliminações na Copa Libertadores, Campeonato Gaúcho e ainda mais uma campanha endossada com a zona de rebaixamento no Brasileirão de 2011, a pressão sobre os dirigentes do Movimento Grêmio Independente aumentou. Antes disso, o fantasma da negociação fracassada pela contratação de Ronaldinho e a saída do atacante Jonas auferiam questionamentos. Para azedar mais a relação, o presidente da Grêmio Empreendimentos, Eduardo Antonini, do Grêmio Novo, deu declarações públicas indagando as ações do comando do futebol, então despertando a ira do outro lado e inviabilizando de vez, em curto prazo, uma nova aliança entre as legendas. Posteriormente, Vicente Martins, junto com Simões e Cidade Dias, deixou o Departamento de Futebol, dando espaço para o diretor-executivo Paulo Pelaipe assumir até hoje.

Campeão do Mundo e duas vezes Campeão da América, o currículo de Fábio Koff será a maior plataforma política para o embate contra Paulo Odone – Foto: Divulgação

Apesar disso, Odone deve manter a maioria na Casa Deliberativa, por meio dos grupos Grêmio Novo, Grêmio Sem Fronteiras, Grêmio Democrático, Grêmio Menino Deus, totalizando provavelmente 118 votos. O problema do atual mandatário, porém, será vencer Koff no pátio. O currículo de seu concorrente diz tudo: Mundial Interclubes, duas Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana, entre outras conquistas. A comunicação do ex-chefe do Conselho Administrativo gremista para angariar votos é clara: “olhem meu currículo e vejam que eu sou capaz de tirar o Grêmio dos 11 anos sem título”. Essa mensagem casa bem com a atual necessidade do torcedor gremista.

Por sua vez, Odone vem de um discurso desgastado, lembrando do feito de ser o presidente da Batalha dos Aflitos, partida heroica que tirou o Grêmio da Série B, além de um dos maiores defensores do Projeto Arena. Outro mérito do atual presidente é a quitação do Condomínio de Credores. Contudo, o torcedor em período eleitoral não procura explicações complexas, salvo raras exceções. Em mais de uma década sem uma conquista relevante, o discurso de Koff é imbatível. Trata-se de apenas o maior dirigente da história do futebol gaúcho. Por essa razão, o apoio do Movimento Grêmio Independente é fundamental para superar o Conselho Deliberativo. Uma vez feito isso, dificilmente o resultado da eleição será diferente do esperado.

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