Koff e Odone definem candidaturas para presidência do Grêmio

Após recusa de Raul Régis (sentado à direita) para ser o candidato de consenso para eleição presidencial, Paulo Odone e Fábio Koff anunciam que disputarão os votos de conselheiros e sócios para o mandato 2013-2014 – Foto: Valdir Friolin / Agência RBS

Depois de meses de especulação, o ex-presidente Fábio Koff oficializou a sua candidatura majoritária no Grêmio, nesta terça-feira (04). Logo em seguida, o atual ocupante do cargo, Paulo Odone, deu a resposta e também anunciou que disputará o pleito em busca de sua reeleição. Essa corrida eleitoral ocorrerá após a chapa situacionista buscar no presidente do Conselho Deliberativo, Raul Régis, o nome de consenso para essa eleição, cuja primeira etapa ocorrerá em 25 de setembro no Casa Deliberativa. Caso os postulantes atinjam os 20% dos votos de conselheiros previstos na estatuto do clube, a definição passará a ficar nas mãos dos sócios em 20 de outubro.

Única pessoa capaz de unir situação e oposição, Régis novamente recusou o convite de disputar a presidência do clube, alegando razões familiares. Sem a união em torno do chefe do Conselho Deliberativo, Koff anunciou à imprensa gaúcha a sua pretensão de ser o próximo presidente gremista no biênio 2013-2014. Por sua vez, Odone afirmou que buscará reeleição horas depois. Nas últimas semanas, os dois postulantes trocaram farpas, ainda sob os resquícios de uma relação desgastada em março de 2011, quando o Grêmio fechou com a Rede Globo pelos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro, preterindo o Clube dos 13, então presidido por Koff.

A decisão do Grêmio, presidido por Odone, negociar os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 a 2014, sem a participação do Clube dos 13 de Koff deve esquentar novamente os bastidores políticos no Olímpico – Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

Nas eleições presidenciais de 2008, os candidatos tiveram o primeiro duelo na última década, quando Odone, presidente naquele momento, apoiou o postulante Antônio Vicente Martins, em detrimento de Duda Kroeff sob a benção de Koff. O último se elegeu, mas seu mandato foi marcado por insucessos dentro de campo, principalmente pela gestão do diretor de futebol, Luiz Onofre Meira, o qual concentrava grande rejeição da torcida. Por essa razão, Odone voltou sem dificuldades em 2010, ao vencer Airton Ruschel em primeiro turno no Conselho Deliberativo, quando a Cláusula de Barreira ainda era de 30%.

Todavia, a relação entre os dois piorou definitivamente com a polêmica negociação dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de 2012 a 2014. Por um lado, o Clube dos 13, comandado por Koff, queria abrir processo licitatório entre outras emissoras de televisão, enquanto a Rede Globo, apoiada pela CBF, decidiu negociar de forma unilateral com as instituições. O Grêmio, sob mandato de Odone, escolheu a segunda opção, ao mesmo tempo em que estreitou relações com então presidente da entidade máxima do futebol brasileiro, Ricardo Teixeira. Desde então, as duas figuras da política gremista não chegaram a um consenso. Há uma semana, Odone falou em “campanha do ódio” na montagem da chapa adversária. Indagado sobre o atrito, Koff refutou ressentimentos com seu concorrente, mas afirmou que o mesmo foi usado pela CBF.

Campeão do Mundo e duas vezes Campeão da América, o currículo de Fábio Koff será a maior plataforma política para o embate contra Paulo Odone – Foto: Divulgação

A eleição marcada para setembro não deve atrapalhar o rendimento do Grêmio no Campeonato Brasileiro, uma vez que o jogador de futebol, em raras exceções, não costuma se envolver com a política interna do clube. Há quem diga que a perda do título brasileiro em 2008 ocorreu por causa do pleito presidencial, mas discordo de tal tese, pois a equipe comandada por Celso Roth era limitada tecnicamente, teve uma considerável queda de rendimento no ataque no segundo turno da competição e não se achou mais na lateral-esquerda desde a queda de rendimento de Anderson Pico. Sobretudo, acredito que a inauguração da Arena para dezembro possa atrapalhar mais o foco da equipe de Luxemburgo na reta final da competição nacional e Copa Sul-Americana se comparado aos bastidores políticos do Olímpico.

Conforme opinado antes aqui no Tribuna Gremista, Koff terá em seu currículo a grande arma para angariar votos, tanto no Conselho Deliberativo como com os sócios: a biografia vitoriosa no Grêmio. Em sua trajetória no Olímpico, ele coleciona Mundial Interclubes, duas Libertadores, Brasileirão, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana, entre outras troféus. A comunicação do ex-chefe do Conselho Administrativo gremista para conquistar a confiança dos eleitores é clara: “olhem meu currículo e vejam que eu sou capaz de tirar o Grêmio dos 11 anos sem título”. Essa mensagem casa bem com a atual necessidade do torcedor gremista. Além disso, o candidato virá com a ideia de novo modelo de gestão e provavelmente a garantia de apoio de investidores em sua administração.

Resgate do Grêmio na Série B, quitação do Condomínio de Credores e Porjeto Arena podem ser as bandeiras de Odone contra Koff – Foto: Lucas Uebel / Divulgação Grêmio

Apesar de não ter oficializado o apoio do Movimento Grêmio Independente na primeira etapa desse processo eleitoral, resta a certeza de que Koff não entraria nessa eleição sem ter ratificado a tendência de obter os 20% necessários para a disputa do dia 20 de outubro. Nesse ponto é que mora o grande problema de Odone. Embora tudo indique sua vitória no Conselho Deliberativo, pela maioria entre os conselheiros, a imagem do atual presidente gremista está desgastada perante a torcida, após chegar na reta final de sua gestão ainda sem um grande título.

Na busca pela reeleição, Odone lembrará do resgate do Grêmio na Série B, da quitação do Condomínio de Credores e de ser um dos maiores apoiadores do Projeto Arena. Contudo, o fato de não conseguir tirar o clube dos 11 anos sem título, somadas as eliminações na Copa do Brasil e na Libertadores na história recente, podem pesar na hora do voto. Para um torcedor que anseia por novas conquistas, o discurso de Koff terá grande vantagem para obter mais sufrágios no quadro social.

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5 comentários em “Koff e Odone definem candidaturas para presidência do Grêmio

  1. Anderson disse:

    Ao meu ver Koff ganha essas eleições se for decidido pelos sócios. Koff tem o prazer de mostrar grandes títulos como a Libertadores e o Mundial. Já o Odone “não vê” mais a grandeza do Grêmio, e seu discurso na maioria das vezes se limita a Batalha dos Aflitos. E mais um time como o Grêmio, não pode ter como objetivo uma vaga em um campeonato, mas mirar o título e consequentemente a vaga. Vamos Grêmio!

  2. Marco disse:

    Sinceramente eu esperava um candidato novo já nesta eleição… mas teremos 2 grandes gremistas disputando, e acho sim que Koff leva a melhor. Ouvi a entrevista dele ontem e achei interessante a idéia de projeto a longo prazo, incluindo nisso também a preparação de sucessores que darão continuidade… senti um pouco de rancor no discurso do Koff, mas acho que ele é suficientemente grande, assim como Odone é, para pensar no bem do Grêmio, caso contrário não merecem estar disputando algo tão importante… Será uma grande eleição, e espero que sempre o Grêmio esteja acima de qualquer coisa….

  3. Vanessa disse:

    Acredito também também que Koff ganhara essa eleição.
    Odone tem em suas conquistas(nessa década) uma série b e dois ou 3 campeonatos gaúchos e vices brasileiro e de libertadores, com todo respeito a esse senhor, mas o GRÊMIO é MUITO GRANDE para estar 10 anos sem ganhar nada e o presidente ficar exaltando campeonato gaúcho e batalha dos aflitos. Odone foi o presidente da série b ok, mas Adalberto Preis teria tirado o GRÊMIO daquele inferno do mesmo jeito e talvez sem deixar para a última rodada.
    O tempo de Odone no GRÊMIO já acabou e também pensava que o de Koff também, depois de tantas alegrias que ele deu para a torcida GREMISTA acredita que ele não tinha mais o que fazer pelo clube, mas devido a essa década medíocre e escassa de títulos Koff volta para implantar um novo projeto de gestão e se Deus quiser nos trazer mais títulos.
    Que venha Koff novamente, que venha Libertadores, Mundial, brasileiro e muitos e muitos títulos mais.

    2013:Koff presidente, 1 º ano da Arena, 30 anos da 1ª libertadores e do mundial, Grêmio na LA13.
    Tudo conspira pro GRÊMIO ser campeão novamente.

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