Se Enderson cair, quem virá? Geração de técnicos brasileiros é sofrível

Celso Roth se tornou uma figura folclórica no futebol gaúcho, pois mesmo com elevada rejeição da torcida da dupla Grenal, sempre é cogitado quando Grêmio ou Internacional procuram técnico. Foto: Wesley Santos / Pressdigital

Celso Roth se tornou uma figura folclórica no futebol gaúcho, pois mesmo com elevada rejeição da torcida da dupla Grenal, sempre é cogitado quando Grêmio ou Internacional procura técnico.
Foto: Wesley Santos / Pressdigital

Imagine a seguinte situação, que não é tão complexa por fazer parte de nossa cultura no futebol e também por ser desejo de muitos torcedores: Enderson Moreira é demitido no Grêmio. Sim, muitos torcedores festejariam a decisão do Departamento de Futebol, mas como também há muito torcedor que pensa em curto prazo (falo em dias mesmo), é provável que poucos se atentam a um velho problema. Afinal, quem iremos chamar?

Uma das razões de ficar relutante com a demissão de Enderson é o meu simples olhar no mercado e constatar que a situação está cada vez pior. Nomes por ora disponíveis são Caio Júnior, Vanderlei do Luxemburgo, Émerson Leão Renato Portaluppi, Mário Sérgio, Dorival Júnior e Gilson Kleina. E ainda tivemos sorte do Coritiba não demitir Celso Roth, apesar da péssima campanha neste início de Campeonato Brasileiro (portanto, nem preciso dizer o quanto estou aliviado com a goleada do Coxa sobre o Goiás na última rodada).

Exceto Kleina e Mário Sérgio, todos esses técnicos não me deixam saudades nenhuma no Grêmio. Renato, queridinho da torcida – meu ídolo apenas pelo que foi como jogador, mas não como técnico e pessoa – representaria uma mesmice na casamata com desfecho previsível de demissão daqui a alguns meses, como é a sua rotina em cada clube que passa. Além disso, o time do ano passado era praticamente o mesmo deste ano, com problemas semelhantes e ainda assim o nosso futebol era horrível e sem perspectiva.

Esse é o cenário catastrófico no mercado brasileiro: não temos opções. Tanto é verdade que o Palmeiras se viu obrigado a apostar em uma figura estrangeira para comandar a equipe após a Copa do Mundo com o argentino Ricardo Gareca. Iniciativa a qual aprovo, pois um dos nomes cogitados pelas bandas da Barra Funda era de Luxemburgo de novo, que desta vez teve a proeza de ser rejeitado pelo próprio elenco palmeirense.

Único técnico que me agrada indiscutivelmente é o Tite, o qual considero o melhor técnico brasileiro há pelo menos três temporadas. Entretanto, não temos sinalização de que ele voltará a treinar uma equipe no país. Seu desejo talvez seja trabalhar no exterior, o que é justo e mostra uma ambição cada vez mais rara nos profissionais locais.

Único nome que agrada no mercado, Tite parece ser uma realidade distante do Grêmio, já que o treinador deseja trabalhar fora do país ou até treinar a seleção brasileira após a Copa do Mundo. Foto: Marcos Ribolli/globoesporte.com

Único nome que agrada no mercado, Tite parece ser uma realidade distante do Grêmio, já que o treinador deseja trabalhar fora do país ou até treinar a seleção brasileira após a Copa do Mundo. Foto: Marcos Ribolli/globoesporte.com

Diante de um mercado pobre, Cuca é uma opção que me agrada, mas duvido que ele volte nos próximos meses, pois provavelmente está coletando uma boa fortuna no eminente futebol chinês ao treinar o Shandong Luneng. E por favor, não me venham com esse papo de “depressão” ou que ele só ganhou a Libertadores porque o Atlético Mineiro era bom time. Vamos discutir como gente grande aqui.

Cristóvão Borges é outro profissional que me agrada, porém, está empregado no Fluminense. O entrosamento do Cruzeiro também evidencia um excelente trabalho de Marcelo Oliveira. Contudo, junto com Cuca, esses são nomes fora do mercado e são exceções diante de uma safra sofrível de técnicos.

Fica evidente a geração horrorosa de técnicos brasileiro ao olharmos para o futebol europeu e constatarmos técnicos chilenos como Manuel Pellegrini, campeão inglês pelo Manchester City, e argentinos como Diego Simeone, campeão espanhol pelo Atlético de Madrid, seguido pelo vice Tata Martino com o Barcelona. Nossa última referência de brasileiro em clubes do Velho Continente é Felipão na passagem mal sucedida pelo Chelsea em 2009 e cinco anos antes Luxemburgo sem sorte maior pelo Real Madrid. E só.

“Mas é preciso um técnico que tenha identificação no Grêmio, uma pessoa do futebol gaúcho”, esse é o argumento de alguns, porém, quero saber de vocês um técnico gaúcho em ascensão. Tanto se falou em Gilmar Iser, atualmente desempregado e com último trabalho no currículo pelo Novo Hamburgo. A crise na formação de técnicos brasileiros também atinge em cheio do Rio Grande do Sul, uma escola que formou Ênio Andrade, Felipão, Valdir Espinosa, Tite, Oswaldo Rolla, João Saldanha e outros.

Portanto, meus caros, vida não é fácil, tampouco pedir cabeça de técnico sem apresentar um nome plausível. Conforme citei no post passado, tenho muitas críticas a Enderson, mas observo a campanha na Libertadores como um crédito ainda a ser considerado. Ou permanecemos com Enderson, dando a ele opções de elenco (tipo Matías Rodriguez no lugar do Pará), ou voltamos a mesma fórmula fracassada de 16 técnicos nos últimos 13 anos (com direito a duas passagens de Roth e Renato). E confesso que estou cansado desse modelo de gestão.

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