Não vamos mentir… O nosso rival se transformou na grande atração do Brasileirão

 

piffero-carvalho-roth-0908_2-19-11-16

Maior presidente da história do Inter, Fernando Carvalho (centro) coloca em xeque a sua capacidade de seguir à frente do futebol no Beira-Rio. Foto: SC Internacional

Geralmente não gosto de colocar o rival Internacional em primeiro plano, por mais que o Grenal seja a maior rivalidade do Brasil e uma das maiores do mundo. Mas sejamos francos: a possibilidade de rebaixamento à Série B pelas bandas do Beira-Rio virou a maior atração do Campeonato Brasileiro de 2016. Se vai cair ou não, ainda não sei, embora as trombetas do apocalipse já estejam tocando a toda força para os colorados.

Os holofotes se direcionam hoje naturalmente para a briga pelo título e pela guerra contra o descenso à segunda divisão. Contudo, o Palmeiras está com nove dos dez dedos na taça, pode confirmar o título neste domingo (20), embora o Botafogo costume azedar para o time paulista, mesmo em São Paulo. Já o Grêmio joga na zona da pasmaceira no Brasileirão, uma displicência preocupante para o verdadeiro objetivo do time, que é o título da Copa do Brasil diante do Atlético Mineiro.

Portanto, o foco do Brasileirão é o Inter. Os colorados podem ficar lisonjeados, pois têm toda a nossa expectativa na competição nacional, nossa torcida (contra) a cada partida, a cada minuto e a cada segundo. E o coirmão não faz para menos, visto que sempre se supera para dar mais emoção a essa aventura. Empata contra o rebaixado Santa Cruz, perde para maior inimigo da zona da degola Vitória, tudo no Beira-Rio, e perde para o outro rebaixado América Mineiro em Belo Horizonte (MG).

treino

Dupla Píffero e Roth já foram protagonistas para eliminação contra o Mazembe no Mundial, e agora podem conseguir rebaixamento inédito. Foto: SC Internacional

A verdade é que o Inter do presidente Vitório Píffero fez toda a lição de casa para jogar a Série B. Emprestou a única liderança do time, D’Alessandro, ao River Plate (Argentina), repondo no lugar o decadente (e falo isso lamentando) Anderson, sob salário de R$ 500 mil mensais. Contratou técnicos de diferentes estilos, sendo que neste Brasileirão, passaram Argel, Falcão (um mês no cargo), Celso Roth e agora o doido Lisca, que vem de fracassos em 2016 no Ceará e Joinville.

O time não vence no Beira-Rio nem a despretensiosa Ponte Preta, mesmo com Vitória perdendo para o Santos – ambos têm 39 pontos, mas os baianos saem da zona de rebaixamento por melhor ataque. Fora de casa, o Inter somente venceu duas no Brasileirão, sendo que a última longe da beira do Guaíba foi em 28 de maio, contra o Peixe na Vila Belmiro. Como visitantes, os colorados perderam 11 e empataram duas partidas. E dos três últimos jogos da equipe, dois são fora de casa.

Em campo, é um verdadeiro terror assistir ao Inter – o que significa ser engraçado para nós gremistas. Entra técnico e sai técnico, o time não sai da base dos chutões. O grosso zagueiro Paulão é o maior armador colorado com seus chutões do campo de defesa. Não há nenhuma triangulação, sistema defensivo é fraco, ataque pífio – terceiro pior do Brasileirão, apenas 33 gols. Em meio a isso, Píffero se esconde por trás da figura de Fernando Carvalho, omitindo-se em dar explicações aos colorados.

falcao-19-11-16

Maior ídolo colorado, Falcão foi queimado como alguém de sua envergadura no Inter jamais deveria; ficou apenas um mês no comando técnico, com visão de futebol diferente de seu antecessor Argel e sucessor Roth. Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional

Ou seja, o Inter somente não carimbou a passagem à Série B ainda porque Figueirense (praticamente rebaixado) e Vitória se esforçam bastante para figurar a segunda divisão ficando com as duas vagas restantes. Entretanto, o clube baiano está reagindo, vem jogando com muito mais garra que o Inter, vendeu caro a derrota para o Santos na Vila Belmiro por 3 a 2 e ainda foi prejudicado pela arbitragem.

No caminho do time colorado, há um Corinthians na Arena Itaquera – e a torcida corintiana não esqueceu a “entregada” ao Goiás em 2007 –, Cruzeiro no Beira-Rio e Fluminense no Maracanã, todos brigando pelo G6 ou G7 – zona de classificação para Libertadores. Já o Vitória pega um Figueirense, no Barradão, que não vence há oito jogos, pode enfrentar o talvez já tranquilo Coritiba no Couto Pereira e possivelmente um Palmeiras de ressaca do título em Salvador.

lisca-19-11-16

Lisca veio com a credencial de salvar o Ceará de um rebaixamento certo à Série C em 2015, mas coleciona fracassos em 2016: não levou o Vovô à final do Cearense e praticamente afundou o Joinville na zona de rebaixamento para Série C. Foto: Ricardo Duarte/SC Internacional

Melhor de tudo é lembrar que a dupla Píffero e Roth é responsável pela derrota contra o Mazembe (Congo), em 2010, um dos maiores fiascos recentes, que foi a perda da presença da final do Mundial de Clubes da Fifa. A derrota na semifinal por 2 a 0 sacramentou pela primeira vez a ausência de um clube sul-americano na decisão diante de um europeu para definir o Campeão do Mundo, tanto pelo torneio chancelado pela entidade como pela antiga Copa Intercontinental.

Então não serei hipócrita: quero muito o Inter na segunda divisão. Se o rival cair e o Grêmio for campeão da Copa do Brasil, pensarei seriamente em voltar a morar em Porto Alegre, somente para ver o discurso burro e alienado dos colorados, dos torcedores aos dirigentes, de “time grande não cai”, “somos ‘incaíveis’” e entre outras falácias ditas há anos no Beira-Rio que afundaram gradualmente o “modelo de gestão”. Mas é bom esperar, porque não subestimo a vontade do Vitória salvar o Inter.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s