[CB’16: Atlético-MG 1×3 Grêmio] Entre sorrisos, lágrimas e heroísmos, fizemos história no Mineirão

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Pedro Rocha é questionado, inclusive por este blogueiro, que aceitou feliz o seu “cala a boca”. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Não há palavras para descrever a alegria sentida nesta quarta-feira (23) no Mineirão, em Belo Horizonte (MG). Não se trata apenas de uma grande vitória de 3 a 1 do Grêmio sobre o Atlético Mineiro, no primeiro duelo final da Copa do Brasil, e não se trata apenas da vantagem enorme para a partida da próxima semana na Arena. Trata-se ainda mais do Grêmio voltar a ser o Grêmio que faz história, do Grêmio vencedor, do Grêmio destemido, enfim, do Grêmio que é o verdadeiro Grêmio, adormecido nesses últimos 15 anos.

Não, ainda não somos os campeões da Copa do Brasil de 2016, há mais 90 minutos a serem jogados na Arena e o nosso adversário merece total respeito. Entretanto, também não há como negar que somente o imponderável tira o Penta de nossas mãos. Isso porque coletivamente, o Grêmio é muito superior ao Atlético Mineiro. O que se viu no Gigante da Pampulha foi um banho de bola do time do técnico Renato Portaluppi até a expulsão do então herói, autor de dois gols, Pedro Rocha, aos 21 minutos do segundo tempo.

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Acostumado a viver dos talentos de Robinho e Pratto, o Galo ficou órfão no Mineirão. Foto: Bruno Cantini/Atlético Mineiro

A diferença entre Grêmio e Atlético Mineiro ficou clara: de um lado um time, um coletivo com peças de grande qualidade individual que funcionam como um todo; do outro, uma equipe com amontoado de talentos individuais, mas que não funcionam em sinergia. O Tricolor não deixou o Galo ser superior em nenhum momento da partida e aproveitou todos os espaços dos donos da casa. O time de Renato era perfeito na defesa e letal no ataque. Já a equipe comandada por Marcelo Oliveira era anulada na sua maior virtude, o ataque, enquanto a defesa seguia desastrosa.

Parecia o Grêmio ser o mandante do Mineirão, palco que aliás, já quase tratamos como casa, onde vencemos o Cruzeiro por 2 a 0 nas semifinais da Copa do Brasil e há um pouco mais de um ano, demos outro banho de bola no Atlético Mineiro pelo mesmo placar no Campeonato Brasileiro. Todos os triunfos, prevaleceram a coletividade, herança que mantém o ex-técnico gremista Roger como uma figura merecidamente lembrada nessa trajetória pelo Penta.

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Geromel mais uma vez jogou muito, e até mesmo quando falha, acaba se redimindo ao construir individualmente a jogada para o terceiro gol. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

O Tricolor funcionou com um Marcelo Grohe heroico por defender um chute à queima roupa de Júnior Urso ainda no primeiro tempo; de uma zaga com os excepcionais Pedro Geromel e Kannemann; do meio campo com Wallace e principalmente Maicon com seus grandes passes; de Luan e Douglas achando espaços e Pedro Rocha se consagrando. Pelo Galo, Robinho chamou a atenção por um chapéu; Lucas Pratto praticamente anulado pela marcação gremista, tentava se impor no desarme; e Victor por evitar um placar ainda mais elástico. E só.

De herói a vilão de volta a herói

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Emocionado pelo segundo gol e protagonista do Mineirão, Pedro Rocha tira a camisa, gesto que deixaria do céu ao inferno em poucos minuto. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pedro Rocha, inclusive, foi o nome do jogo. Ele fez dois gols, o primeiro aos 29 minutos da etapa inicial, após passe magistral de Maicon, para fazer uma cortada linda em Gabriel e colocar a bola no fundo das redes; o segundo veio nove minutos depois da volta do intervalo, seguido de uma cobrança de falta no meio-campo, com o jogador superando três marcadores e de novo deixando Victor na saudade, assim se redimindo do gol perdido cara a cara com o arqueiro atleticano aos 47 minutos do primeiro tempo. Contudo, veio o pecado do atacante gremista: tirar a camisa na comemoração dos 2 a 0 e ser advertido por Péricles Bassols Cortez com cartão amarelo.

O preço desse pecado veio pouco mais de dez minutos, quando o atacante fez falta em Carlos César no lado esquerdo do gol de Marcelo Grohe, enquanto Everton estava pronto para substituí-lo. O árbitro não perdoou, sacou o segundo amarelo e veio o temor na cabeça de Pedro Rocha, o temor de ser o vilão após se consagrar como herói. A alegria deu espaço aos choros no túnel de acesso ao vestiário do Mineirão. Imagino que as lágrimas ganharam intensidade quando Gabriel, vítima de seu drible desconcertante no primeiro gol, explodiria a então calada torcida atleticana com o gol aos 36 minutos do segundo tempo, após cochilo de Geromel em um cruzamento de Fábio Santos.

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Provável titular na partida da Arena, Everton deu justiça ao placar de 3 a 1. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

No entanto, quis a vida que Pedro Rocha seguisse como o herói da primeira final da Copa do Brasil. Ou melhor, Geromel quis assim, ao se redimir pelo gol atleticano, subir ao ataque pelo lado direito, como um perfeito ala e lançar para Everton deslocar Victor e marcar o terceiro gol do Grêmio com um jogador a menos diante dos anfitriões, aos 45 minutos.

Assim se calava de vez o Mineirão, exceto pela torcida gremista, que muitas vezes superava pelas cantorias os quase 50 mil atleticanos, atônitos por ver seu time sucumbir devido a dez guerreiros em campo. Simplesmente histórico! Enfim, falta pouco para o Penta, só precisamos repetir essa pegada na Arena para levantar essa taça.

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