Onze anos podem separar o céu ao inferno para Anderson

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Herói no Grêmio, Anderson pode se tornar vilão no Internacional. Fotos: Divulgação

Autor do gol histórico da Batalha dos Aflitos, Anderson pode experimentar a sensação de ir do céu ao inferno em um hiato de 11 anos. O meia fez o gol salvador do Grêmio com sete jogadores – seis jogadores de linha e o goleiro – naquele dia 26 de novembro de 2005, diante do Náutico no Estádio dos Aflitos, em Recife (PE), pelo Campeonato Brasileiro da Série B e valendo o retorno à Série A. Neste domingo (27), porém, o meia pode se tornar um dos símbolos da queda do Internacional à segunda divisão.

Com 17 anos, Anderson obteve o bilhete para entrar na galeria dos grandes ídolos do Grêmio pelo feito em Recife. A celebração da Batalha dos Aflitos não se trata de comemorar título de Série B ou o retorno à Série A, e sim de lembrar de um momento de superação, quando sete jogadores em campo conseguiram o impossível ao fazer o gol da vitória, num clima de animosidade no estádio do adversário, com 29 mil torcedores alvirrubros e com o futuro de um clube centenário em jogo.

O episódio teve dois heróis centrais: Anderson, autor do gol, e Galatto, ao defender o pênalti de Ademar no lance anterior, quando faltavam poucos minutos para o término da partida. Ambos são os maiores ícones desse capítulo da história vitoriosa do Grêmio, não importa o que aconteça posteriormente, mesmo com o goleiro sem contrato com algum clube neste momento e o meia usando a camisa do rival.

Entretanto, chama a atenção como Anderson se tornou mais um daqueles casos de um jogador que não atingiu o potencial projetado. Meia de habilidade e velocidade no Grêmio, teve passagem razoável pelo Porto (Portugal) e anos como mero coadjuvante no Manchester United (Inglaterra). Em meio a isso, foi emprestado à Fiorentina (Itália) por uma temporada pelo clube inglês, mas não deixou marcar na Itália depois de atuar apenas por oito jogos sem deixar gol.

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Ícones da Batalha dos Aflitos, Mano e Anderson se reencontram no Beira-Rio. Foto: Divulgação

Por essa razão, achei acertado o Grêmio não repatriá-lo, pela decadência de seu futebol, pelo valor contratual e também por preservar a linda história dele no clube. Tampouco o condenei ele fechar a contrato com Inter, pois inegavelmente o atleta tentou voltar ao Tricolor, mas sem portas abertas, ele fez o que qualquer trabalhador faria nessas horas: procurar outros ares. Mesmo assim, no quesito técnico, a contratação dele no Beira-Rio sempre foi alvo de questionamento.

Sob a camisa do Inter, apenas tive a certeza de que o Grêmio agiu certo em não contratá-lo. Jogador geralmente acima do peso, sem regularidade, vivendo apenas de lampejos técnicos, maior parte da temporada como reserva e tudo isso ganhando pelo menos R$ 500 mil mensais. É triste ver que Anderson tem apenas 28 anos, ou seja, poderia jogar perfeitamente mais uma década em bom nível técnico, se tivesse cabeça de um profissional e ambição de crescer na carreira.

Neste domingo, no Beira-Rio, Anderson terá um capítulo decisivo em sua trajetória como jogador. Pode, por um lampejo, desequilibrar, como fez no empate de 2 a 2 do Inter contra o Atlético Mineiro na semifinal da Copa do Brasil em Belo Horizonte (MG), e consequentemente dar fôlego ao time na briga contra o rebaixamento perante o Cruzeiro. No entanto, o simples fato dele ser a esperança dos colorados é um sintoma de que o time merece mesmo cair para Série B.

E por ironias da vida, o técnico Mano Menezes, a pessoa que o colocou em campo para fazer o gol da Batalha dos Aflitos, comanda hoje o Cruzeiro. Onze anos depois de pôr a mão no ombro de Anderson, dando-lhe confiança para fazer o impossível e devolver a Série A ao Grêmio, o ex-treinador gremista pode ajudar, mesmo sem intenção alguma, o meia ser um dos símbolos da Série B ao Inter.

Matéria de 10 anos da Batalha dos Aflitos 

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