Abandono do Olímpico é desrespeito à história do Grêmio e risco aos moradores da Azenha

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Visita feita aos arredores do Olímpico. Foto: Bruno Coelho

Precisamos falar do estado degradante do Estádio Olímpico Monumental. Não podemos mais esconder a hemorragia atrás da Arena, da Copa do Brasil ou quaisquer outros subterfúgios que possam inventar. Existe no bairro da Azenha um desrespeito à história do Grêmio e também um grave problema que coloca em risco a Saúde e Segurança dos moradores aos arredores do Velho Casarão, aos quais a diretoria tricolor e os governos municipal e estadual não podem mais ignorar.

Inaugurado em 19 de setembro de 1954, na vitória do Grêmio sobre o Nacional (Uruguai) por 2 a 0 – dois gols de Vitor e uma grande atuação de Tesourinha – (veja a matéria), o Velho Casarão deu seu adeus definitivo no dia 17 de fevereiro de 2013, numa partida de menor importância pelo Campeonato Gaúcho, na vitória de 1 a 0 do Tricolor sobre o Veranópolis, gol marcado pelo zagueiro Werley (vídeo abaixo). Um grande erro do Grêmio foi não dar uma despedida ideal ao Olímpico comparável à inauguração da Arena (Grêmio 2×1 Hamburgo).

Neste domingo (04), fui à Azenha para testemunhar a situação do Olímpico e, infelizmente, o pior se confirmou. Previsto para ser demolido em 2013 e desde então guardado nas nossas melhores memórias, o nosso Velho Casarão está agonizando a céu aberto. Na entrada do Largo dos Campeões, o estádio ainda mantém as cores azul, preto e branco, embora haja sinais de destruição e o mato tomando conta do campo de treinamento ao lado.

O desespero começa, porém, quando se avança na Avenida Coronel Gastão Haslocher Mazeron. Na parte de trás do Olímpico, acabam as cores azul, preto e branco, e sobra o cinza do concreto nu e despedaçado, onde foi iniciado o processo de demolição do estádio, mas por conta da recuperação judicial da OAS – após ser envolvida no epicentro da Operação Lava Jato –, o trabalho não foi completado. A empreiteira foi responsável pela construção da Arena e receberia como parte da contrapartida a área de 8,5 hectares do Velho Casarão.

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Com a demolição incompleta, o Olímpico agoniza a céu aberto. Foto: Bruno Coelho

No outro lado, na Avenida Carlos Barbosa, mais cenário de abandono. Durante a minha caminhada por lá, vi uma pessoa que não era um dos seguranças contratados pelo Grêmio, dentro das dependências do estádio. Minutos depois, ele saiu com metais, seguindo o seu caminho. Além da deterioração, era possível ver as cercas retorcidas, a fim de facilitar a entrada de pessoas no Olímpico. Em um cenário de caos na Segurança Pública de Porto Alegre, o Velho Casarão se tornou um local fácil para concentração de assaltantes e usuários de drogas, reclamações já levantadas por moradores da Azenha.

Não se trata apenas de Segurança Pública o grave problema do abandono do Olímpico, mas falamos de Saúde também. Em época de Verão e chuvas, temos escoamento de água e entulhos. Cenário perfeito para proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Tudo isso somado a vidros quebrados, ruínas e muito lixo.

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O Largo dos Campões é uma das poucas vistas que ainda lembram os melhores dias do Olímpico. Foto: Bruno Coelho

Antes vivas, as ruas da Azenha estão mortas. Muitos estabelecimentos comerciais deixaram os arredores do Olímpico, alguns até também se tornaram ruínas. Era evidente que com a saída do Grêmio na localidade, o comércio seria impactado, mas é absurdo que a Prefeitura de Porto Alegre não tenha feito nenhum plano de revitalização e paisagismo para manter o bairro ainda como um dos pontos chamativos da cidade, e consequentemente dar gás aos empreendimentos lá estabelecidos.

Enfim, o Olímpico não pode ser mais ignorado pelo Grêmio, pela Prefeitura de Porto Alegre e pelo Governo do Estado do Rio Grande do Sul. Por parte do Tricolor, é necessário sim reforçar a segurança interna e a higienização do espaço, pois ainda é o dono do Olímpico, enquanto não define a posse definitiva da Arena. Pelo Estado, é necessário reforçar o policiamento, enquanto o governo municipal precisa assumir o seu papel de revitalizar a área da Azenha.

O abandono e a deterioração do Olímpico não podem mais ser ignorados, por respeito à história do Grêmio e aos moradores da Azenha.

Mais fotos (Créditos: Bruno Coelho)

Reportagem do TVE Repórter feita em 2015

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