[CB’16: Grêmio 1×1 Atlético-MG] Um título sob olhares de quem esperou por 15 anos

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Choro de emoção, alegria pelo fim de 15 anos sem grandes conquistas e a confiança de um futuro repleto de títulos. Tudo isso senti e testemunhei na Geral da Arena do Grêmio, no empate de 1 a 1 entre Grêmio e Atlético Mineiro, na inesquecível noite do Pentacampeonato da Copa do Brasil, nesta quarta-feira (07). Em meio aos meus gritos de “É CAMPEÃO”, abraços a outros gremistas emocionados, parei por alguns segundos para observar uma gremista de 21 anos, natural de Santa Cruz, interior gaúcho, porém, há anos morando em São Paulo.

Tive a oportunidade de acompanhar essa gremista, que não viu na adolescência até a recém-fase adulta o Grêmio ser campeão. Ela também nunca fora em uma partida do Tricolor em Porto Alegre – esteve em jogos na capital paulista –, não teve a chance de ver o time de coração dela, paixão herdada pelo pai, ser campeão no Olímpico Monumental. No entanto, ela estava ali, na Arena, para pela primeira vez comemorar um título de maior expressão, em uma casa gremista e ter aquela noite como eterna nas suas lembranças.

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Ao ver a Arena de perto, um sonho começou a se realizar. Sonho esse que crescia cada vez mais, quando ela tirou fotos ao lado de ídolos como o goleiro Campeão do Mundo de 1983, Mazaropi, e o meia Campeão da América em 1995 e autor do gol do Tricampeonato da Copa do Brasil de 1997, Carlos Miguel.

Em seguida, ela entrou no Memorial Hermínio Bittencourt, para ver a poucos centímetros as grandes taças que levaram o Grêmio a ser soberano no Rio Grande do Sul, no Brasil, na América e no Mundo. Pela primeira vez, essa torcedora conhecia de perto a casa gremista, via do porquê seu pai ter lhe passado essa herança, na qual superou tentações de torcer por times de São Paulo em meio a 15 anos de dificuldades e ilusões do Tricolor. Mas ainda faltava algo: comemorar um título no estádio tricolor.

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Melhor dupla de zaga do futebol brasileiro: Geromel e Kannemann; ambos não deram chance para o ataque de Lucas Pratto e Robinho. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Por méritos próprios do Grêmio ao construir uma larga vantagem de 3 a 1 na primeira final realizada no Mineirão, em Belo Horizonte (MG), há duas semanas, em nenhum momento houve temor dessa conquista escapar entre os dedos. Na Arena, o time gremista não teve maior tempo de posse de bola, mas em nenhum momento perdeu o controle da partida. A equipe manteve a sua forte marcação, e apesar de dar a iniciativa de ataque ao Atlético Mineiro, teve as chances mais perigosas e eficazes de marcar o gol. Os comandados do técnico Renato Portaluppi usaram o relógio a seu favor.

A verdade é que o Grêmio teve dois jogos tranquilos contra o qualificado Atlético Mineiro, sendo superior nos 180 minutos da decisão. O gol de Miller Bolaños aos 43 minutos do segundo tempo, após passe de Everton, apenas coroou a merecida supremacia gremista nessa final. Nem mesmo o gol do Galo com Cazares, no minuto seguinte, em grande oportunismo de um chute do meio-campo ao pegar Marcelo Grohe adiantado, surtiu efeito. Da Geral, poucos perceberam naquele momento o empate de 1 a 1, placar definitivo para em seguida ser comemorado o Pentacampeonato da Copa do Brasil.

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A poucas horas de seu aniversário de quatro anos, a Arena do Grêmio bateu novo recorde de público, desta vez com 55,3 mil torcedores. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foi nesse momento que vi essa gremista, a qual a acompanhei na Arena. E percebi que esses 15 anos de frustração nos tornaram mais fortes. Precisávamos passar por essa prova, para renascermos e criarmos um vínculo ainda mais vivo e inquebrável entre gremistas e o Grêmio. No fim, tudo fazia sentido ao olhar para expressão dessa torcedora, que realizara um sonho, de conhecer um estádio gremista, conhecer ídolos gremistas, ver de perto um time gremista, torcer ao lado de 55,3 mil gremistas e comemorar de perto uma conquista gremista. Sim, o Campeão voltou, e voltou ainda mais forte.

Título premia gestão Romildo e liderança de Renato

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O Grêmio conta com uma gestão forte no futebol, o que amplia o horizonte para novas conquistas. Foto: Grêmio FBPA

Romildo Bolzan assumiu a presidência aplicando remédios amargos, porém, hoje colhe os frutos e deve ampliar o ritmo de conquistas dos próximos anos. Assim como o nosso rival teve Fernando Miranda para organizar o clube no Beira-Rio nos anos 2000 e deixando o caminho livre para Fernando Carvalho consolidar tal trabalho – embora hoje o cenário seja oposto aos colorados –, Romildo se tornou a peça que faltava para colocar tudo nos trilhos, com paciência, sem se afobar por meio de gastos exorbitantes e contratações por nomes para acabar com essa seca de 15 anos.

Em campo, ficou claro que o maior mérito desse Grêmio é não se desfazer a qualquer preço de seus jovens talentos, como Luan e Walace – melhor em campo, grandes desarmes e armando contragolpes nos 90 minutos. Ao mesmo tempo, fez contratações certeiras de veteranos, sem holofotes, sem se deixar levar pela discordância da torcida. Chamou quem entende de futebol nos bastidores, como o vice-presidente Adalberto Preis, trouxe Renato junto com o técnico Campeão do Mundo de 1983 e desta vez auxiliar técnico Valdir Espinosa.

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Maior ídolo do Grêmio como jogador pelas conquistas da América e do Mundial, Renato agora escreve sua história no Grêmio como técnico; e ainda pode alçar voos mais altos. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Também vale ressaltar Renato, o qual sou crítico sim, mas sou admirador de sua capacidade de evolução. Ainda há muito a crescer na carreira de técnico, porém, o autor dos gols do Mundial Interclubes de 1983 está mais calejado, mais sábio e mais preparado, apesar de manter ainda o jeito falastrão. Soube usar a herança tática do antecessor Roger, que tem parcela significativa nessa conquista, sem deixar de aperfeiçoá-la. O técnico ajustou a defesa e o pesadelo da bola aérea, fez com que Ramiro se tornasse peça-chave e deu alma de campeão a esse time.

Alma essa que não apenas quebrou um jejum de 15 anos, como nos dá confiança e força para ganharmos o Tricampeonato da Copa Libertadores da América, o Tricampeonato do Brasileirão ou quem sabe o tão sonhado Bicampeonato Mundial. Ainda há muito o que fazer para alcançar essas conquistas, qualificar ainda mais nosso plantel é necessário. Contudo, o primeiro passo para esses feitos foi dado: resgatamos a nossa alma vencedora. E ela ressurgiu nesse 07 de dezembro de 2016.

Homenagem aos heróis de verde

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Chapecoense foi outra grande protagonista da final da Copa do Brasil em uma justa homenagem na Arena. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Foi lindo ver o respeito e as homenagens dadas pelos 55,3 mil torcedores às vítimas do acidente aéreo na Colômbia, o qual levou a delegação da Chapecoense, profissionais de imprensa e tripulação. Houve respeito ao minuto de silêncio, seguido de fortes gritos de “Vamo, Vamo, Chapê”. Torcedores usaram o verde, seja a camisa do clube catarinense, camisa verde de treino do Grêmio, adesivo e faixas da Chape e outras homenagens nesse primeiro jogo em território nacional após o acidente. Creio que honramos a lembrança desses heróis, honramos os seus familiares e dedicamos a eles o espetáculo na Arena.

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2 comentários em “[CB’16: Grêmio 1×1 Atlético-MG] Um título sob olhares de quem esperou por 15 anos

  1. […] de dez anos morando em São Paulo, tive o prazer de visitar ambos neste mês, na final da Copa do Brasil de 2016 – e na partida contra o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro 2016 – e no Lance de Craque, […]

  2. […] de dez anos morando em São Paulo, tive o prazer de visitar ambos neste mês, na final da Copa do Brasil de 2016 – e na partida contra o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro 2016 – e no Lance de Craque, […]

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