Geral do Grêmio brinca com perigo e repete o erro com cânticos de ‘macaco’

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Melhor torcida do Brasil, a Geral não precisa repetir o erro cometido em 2014. Foto: Lucas Uebel/FBPA

Passou-se um tempo, mas a Geral do Grêmio retomou os cânticos com a palavra “macaco” durante os jogos na Arena. Impressionante como ainda há torcedores que nada aprenderam com o episódio do goleiro Aranha, o qual excluiu o Grêmio da Copa do Brasil de 2014 por determinação do STJD (Supremo Tribunal de Justiça Desportiva) e desgraçou a vida da torcedora Patrícia Moreira. Teimosia e ignorância que podem no futuro manchar novamente a imagem do clube em acusações de racismo no Brasil.

Antes que me condenem, eu sei muito bem que o termo “macaco” não é usado pela maior parte da torcida gremista com intuito racista. Aliás, existe uma falácia no Rio Grande do Sul que atrela o racismo ao Grêmio, e as pessoas esquecem ou não se informam da razão do compositor e autor do nosso hino, Lupicínio Rodrigues, ser gremista, devido a um episódio envolvendo o clube do seu pai, que tinha apenas de “mulatos” e cuja inscrição na Liga à época foi vetada pelo Internacional. Ou esquecem que a única estrela em nossa bandeira representa o lateral-esquerdo Everaldo.

O problema é que a torcida do Grêmio não pode ficar à margem da sociedade, onde o termo “macaco” é sim usado como forma de pregar racismo. Foi exatamente essa armadilha que Patrícia caiu, quando se referiu ao Aranha como “macaco”, justamente um jogador negro em um país com problemas latentes de racismo, seja por discriminação escancarada ou veladas por menores salários, desigualdades sociais e outras mazelas ainda existentes à população negra.

Uma pessoa negra que sofre racismo no dia a dia não é obrigada a entender que o “macaco” dito por um gremista não tem cunho racista, pois na sociedade onde vivemos, é racismo sim. O Brasil não é obrigado a entender que o contexto do “macaco” nos cânticos do torcedor gremista tem variantes. E nesse país preconceituoso, o verdadeiro racista pode se identificar com essas músicas e usar a imagem do Grêmio para propagar a ignorância e o ódio.

Portanto, parem de usar o “macaco” nos jogos do Grêmio. Não é o Brasil que tem que se adaptar a um segmento da torcida gremista e sim o contrário. Afinal, o Tricolor já teve a sua imagem manchada em 2014, gremistas no Brasil afora já foram alvos de ofensas (vídeo abaixo) de outros torcedores que caíram no pecado da generalização. Se a Geral do Grêmio insistir com esses cânticos, depois não diga que é perseguida pela mídia e pelo STJD.

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Um comentário em “Geral do Grêmio brinca com perigo e repete o erro com cânticos de ‘macaco’

  1. Perfeito!
    Troquem macaco por amargo que não precisa nem mudar as musicas

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