Zago, falaste uma mentira, o Grêmio aceitou negros antes do Inter

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Antunes, na foto, jogava no Grêmio em 1913.

Confesso que não era do meu interesse acompanhar a entrevista coletiva do novo técnico do Internacional, Antônio Carlos Zago, até porque tenho a minha opinião formada sobre o episódio de racismo o qual ele cometeu, quando ainda jogava pelo Juventude em 2006, contra o volante Jeovânio, à época jogador do Grêmio (opinião no fim do texto). No entanto, o novo comandante colorado despertou a minha atenção quando disse que o Internacional era pioneiro em aceitar negros no futebol. E isso não é verdade, nem no Rio Grande do Sul, muito menos no Brasil.

O Grêmio foi um dos pioneiros em aceitar jogadores pardos e negros no Rio Grande do Sul. Em 1913, o Tricolor já tinha Antunes, jogador de pele parda ou negra (complicado fazer essa distinção, pois depende muito do que sente a própria pessoa) e associado ao Tricolor, conforme relata o jornalista e autor do livro “Somos Azuis, Preto e Branco”, Léo Gerchmann. “No livro, considerei Adão (1925) o primeiro (jogador) negro (a vestir a camisa do Grêmio). Mas Antunes, que era pardo, foi anterior e presidiu o Grêmio (1927-1928). São pioneiros no Rio Grande do Sul”, atestou.

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Pressionado pelo episódio com Jeovânio, Zago foi obrigado a falar de racismo na sua apresentação ao Inter. Foto: SC Internacional

Portanto, é um erro histórico no Rio Grande considerar o Tesourinha como primeiro jogador negro a vestir a camisa do Grêmio a partir de 1952, já que esse tabu fora quebrado 39 anos antes, sendo que a Abolição da Escravatura ocorrera em 13 de maio de 1888. Aliás, até pelo fato do futebol ser um esporte elitista nos seus primórdios no Brasil, demorou-se muito em clubes brasileiros, em geral, aceitarem jogadores negros em seus plantéis.

Antes de Tesourinha, desfilaram mais de duas dezenas de negros. Laxixa, Mário Carioca, Hélio, Prego, Jorge, Hermes Conceição. Antes do primeiro negro vestir a camisa colorada, Maldonado, Saraiva, Silva, Neco e Adão Lima já haviam suado muitas camisas tricolores e conquistado muitas vitórias”, afirmou o pesquisador Fábio Mundstock, responsável por levantamentos acerca da história de jogadores negros no Grêmio.

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Dirceu Alves foi o primeiro jogador negro do Internacional em meados de 1925. Foto: SC Internacional

No Internacional, o primeiro jogador negro foi Dirceu Alves. O meia-direita vestiu camisa colorada por volta de 1925 – a FGF (Federação Gaúcha de Futebol) atesta 1928, segundo Gerchmann -, conforme confirmação do site oficial do clube. No Brasil, existe uma disputa entre Bangu, Vasco da Gama e até a Ponte Preta sobre qual clube primeiro teria admitido em seus quadros um atleta negro. O clube campineiro alega que foi fundado em 1900 por Miguel do Carmo, jogador negro.

O Bangu ressalta que usou Francisco Carregal, atleta negro, em 14 de maio de 1905, em amistoso no qual ganhou por 5 a 3 do Fluminense no Jardim da Fábrica Bangu. O Vasco afirma, por sua vez, que foi primeiro clube a aceitar negros sistematicamente na década de 1920, o que levou Fluminense, Flamengo, Botafogo e América a fundarem uma liga separada, a AMEA (Associação Metropolitana de Esportes Atléticos), isolado o Cruzmaltino, campeão carioca em 1923, na LMDT (Liga Metropolitana de Desportos Terrestres).

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Everaldo é eternamente homenageado pelo Grêmio. Fotos: Grêmio FBPA e Divulgação

Aliás, nenhum clube brasileiro homenageia institucionalmente mais os negros que o Grêmio, tendo na sua bandeira oficial, uma estrela que representa o lateral-esquerdo Everaldo, campeão na Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 1970. As pessoas esquecem ou não se informam da razão do compositor e autor do nosso hino, Lupicínio Rodrigues, ser gremista, devido a um episódio envolvendo o clube do seu pai, que tinha apenas de “mulatos” e cuja inscrição na Liga à época foi vetada pelo Internacional.

Portanto, caro Antônio Carlos Zago, o Inter tem uma história bonita de jogadores negros, mas não foi pioneiro, nem no Rio Grande, menos ainda no Brasil.

Sobre o caso de racismo de Zago

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Em 2006, Zago apontou para pele em alusão pejorativa à cor negra de Jeovânio. Foto: Divulgação.

Não farei como alguns companheiros gremistas e até colorados que condenam eternamente Zago pelo episódio envolvendo Jeovânio. Ele errou, pagou por esse erro e teve tempo para mudar a sua mentalidade. Todo ser humano tem o direito de se redimir e evoluir como cidadão. Àqueles que pensam o contrário, recomendo assistirem ao filme “A Outra História Americana”, (American History X), de 1998, estrelado por Edward Norton.

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Um comentário em “Zago, falaste uma mentira, o Grêmio aceitou negros antes do Inter

  1. CONHECEAHISTORIA disse:

    Essa é a maior mentira de todas kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk clube racista

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