Foi na festa deles que me senti ainda mais gremista

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Em 17 de novembro de 2006, o Rio Grande ganhava um novo Campeão do Mundo. Foto: SC Internacional

Houve dois momentos dos quais mais me orgulho de vestir a camisa do Grêmio. E são justamente os prováveis dois piores dias da vida de um torcedor gremista. Em 29 de novembro de 2004, retornei de São Paulo para Porto Alegre e peguei imediatamente a camisa do Grêmio, um dia depois de ser matematicamente rebaixado ao Campeonato Brasileiro da Série B. Outra loucura foi no dia 17 de dezembro de 2006, quando fiquei tricolor pelas ruas da capital gaúcha em meio à festa colorada do título do Mundial de Clubes da Fifa conquistado pelo Internacional.

Não sei se foi um ato de coragem ou estupidez usar a minha camisa do Grêmio logo após Adriano Gabiru fazer aquele gol sobre Victor Valdés, aos 36 minutos do segundo tempo, dando a vitória de 1 a 0 do Internacional contra um apático, embora ainda perigoso, Barcelona, em Yokohama, no Japão. Sorte a minha, talvez, que andei por Porto Alegre ao lado de um amigo colorado, que orgulhoso, também estava de vermelho, a exemplo de milhares ou milhões naquele dia.

Seja como a minha atitude mereça ser classificada, queria mostrar o meu orgulho gremista, por um clube que 23 anos antes, já conquistara o Mundial Interclubes diante de um Hamburgo vencedor, campeão europeu sobre a Juventus do craque francês Michel Platini e bicampeão alemão. Pelo caminho, fui xingado e contestado por colorados. Talvez se não estivesse acompanhado pelo meu amigo vestido com a camisa do Inter, o pior poderia ocorrer.

Apesar das turbulências no caminho, cheguei em casa, quando morava na Rua da República, bairro Cidade Baixa, orgulhoso do feito. Tinha me provado gremista em um dos piores momentos para ser gremista. E passei a imaginar o que o colorado passou em 11 de dezembro de 1983, após Renato Portaluppi fazer dois gols antológicos sobre o Hamburgo, também no Japão, só que na cidade de Tóquio.

Dois anos antes, após o empate de 3 a 3 do Grêmio contra o então líder do Brasileirão, Atlético Paranaense, no Estádio Colosso da Lagoa, em Erechim – o Tricolor saiu perdendo por 3 a 0 e conseguiu igualar o placar, que fez os paranaenses perderem o título para o Santos –, eu saí com a camisa tricolor pela cidade. O resultado, apesar de heroico pela superação, sacramentava a nossa queda à Série B. Por essa razão, admirei os colorados que saíram de casa com as camisas do Inter em 12 de dezembro deste ano, no dia seguinte ao rebaixado, desta vez deles.

No entanto, ainda assim, sair com o manto do Grêmio na maior festa do Inter foi um desafio ainda maior. Talvez com a maturidade de hoje somada à escalada da violência em Porto Alegre, não tomaria esse gesto novamente. Mesmo assim, hoje a lembrança mostra que valeu a pena.

Aproveito e deixo aqui os meus cumprimentos ao Internacional e aos colorados pelos dez anos da conquista do título mundial, que somente engrandeceu a história da dupla Grenal e o futebol gaúcho.

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