Arena do Grêmio e Beira-Rio: O que um tem que o outro não tem?

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Morada do Grêmio e Internacional, Porto Alegre é uma cidade diferenciada, não apenas por ter dois grandes clubes, ambos Campeões do Mundo, mas por também contar com dois grandes estádios de futebol. Deixando a rivalidade Grenal de lado, tanto Arena do Grêmio como Beira-Rio são palcos espetaculares. A capital gaúcha, onde reside a maior rivalidade futebolística do Brasil, é a única cidade, com exceção de São Paulo, que conta com duas casas que estão entre os principais estádios do planeta.

Depois de dez anos morando em São Paulo, tive o prazer de visitar ambos neste mês, na final da Copa do Brasil de 2016 – e na partida contra o Botafogo pelo Campeonato Brasileiro 2016 – e no Lance de Craque, respectivamente. Entretanto, qual deles é melhor? Bem, primeiro saliento aqui que será um desafio analisar ambos, sendo gremista e com a tentação de puxar a sardinha do lado da Arena do Grêmio, o que pode ser usado por colorados para desqualificar a análise. No entanto, vamos lá, sem medo de ser feliz.

Arena do Grêmio

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Foto: Lucas Uebel

Sem titubear, já começo afirmando que a Arena é mais imponente que o Beira-Rio. Primeiro por ser de fato maior do que o estádio do Internacional, com quatro camadas de arquibancadas – ante a duas na casa colorada e mais a área vip – e por ter maior capacidade 55,6 mil lugares ante a 51,3 mil. No entanto, o que torna a Arena mais colossal é justamente um verdadeiro contraste: a simplicidade do bairro Humaitá.

A Zona Norte de Porto Alegre é uma área pobre e abandonada pelo Poder Público há anos. Com a chegada do novo estádio gremista, chega também a esperança daquela população ser lembrada pelos governantes. De fato, a região do Humaitá está avançando, com a construção de novos prédios residenciais ao lado da Arena e com a alça do viaduto que dá acesso à BR-448. Mesmo assim, ainda há muito o que fazer para deixar o entorno do estádio mais seguro e com paisagismo ideal.

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Foto: Arena do Grêmio

O torcedor que vem da Estação Anchieta da Trensurb à Arena, pela Rua José Pedro Boéssio, depara-se com um matagal abandonado, cheio de lixos e entulhos, boeiros sem tampa, mau cheiro e com plena sensação de insegurança. Outro ponto é o transporte, pois quem quiser vir de ônibus, somente tem duas opções de coletivos: as linhas 701 e 703, que partem do Centro e podem demorar até 15 minutos – isso em dia útil – para passar no ponto de ônibus – que aliás, têm os assentos usados no Olímpico Monumental nas proximidades do estádio.

Logo, o Humaitá ainda precisa de obras de Mobilidade Urbana e revitalização aos arredores, para incentivar o comércio local não apenas em dias de jogos. Esse tipo de estímulo é desenvolvimento, é dar oportunidade de empregos por meio de empreendimentos e passar maior dignidade aos moradores da região. Um dia, isso ocorrerá, embora seja uma pena que a morosidade do Poder Público no Brasil me faz crer que ainda teremos de esperar anos por isso.

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Foto: Arena Grêmio

Fora o entorno, deixarei aqui as minhas únicas críticas à nossa casa gremista: as bordas da cobertura do estádio, onde é bastante notável a sujeita cobrindo o branco da estrutura. Ou seja, será um desafio ao Grêmio a manutenção frequente da Arena. E outro problema é o péssimo sinal do local para o uso de máquinas de cartão de débito e crédito nos estabelecimentos de alimentação. Há setores onde nenhuma máquina recebe o sinal: ou seja, ou tem dinheiro, ou passa fome e sede.

Internamente, a Arena é impecável. Não importa de onde você assista ao jogo, a sua visão sobre o que ocorre na partida é plena, sem nenhum ponto cego. Há maior proximidade da torcida aos gramados se comparada ao Beira-Rio, além da acústica do palco gremista ser mais reverberante e dar maior sensação de pressão aos adversários. Os banheiros são limpos e estilizados com azulejos azul, preto e branco. Enfim, todo o acabamento externo e interno do estádio gremista é primoroso.

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Os assentos da Arena são confortáveis e espaçosos, sem o risco de ficar apertado com colega ao lado. Há espaços acessíveis e com boa visão aos cadeirantes. Somado a isso, o Grêmio teve a sabedoria de liberar uma área sem cadeiras, porém, sem aparecer o cinza do concreto, quando a Geral do Grêmio toma toda a área com capacidade de 5,7 mil pessoas. E vale citar que a sala de coletiva de imprensa é maior do que a do Real Madrid e Barcelona, por exemplo.

Na esplanada da Arena, o torcedor pode tomar a sua cerveja tranquilamente por meio das diversas tendas da Heineken e Brahma, além da rede de fast-food gremista Hamburgueria 1903, que é outra grande atração. Enfim, estádio por estádio, a Arena é mais imponente e bonita internamente do que o Beira-Rio. Entretanto, não é porque sou gremista que vou me refutar de fazer elogios à casa do Internacional. Vamos à segunda etapa do post.

Beira-Rio

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Foto: Beira-Rio

Vou inicialmente começar por algo que pode revoltar os meus irmãos gremistas e talvez surpreender os rivais colorados: o Beira-Rio é mais charmoso que a Arena. O que é natural, uma vez que o palco na verdade foi inaugurado em 1969, tem mais história do que o irmão caçula, o qual recebeu seu primeiro toque de bola em 8 de dezembro de 2012. Vale a ressalva de que essa observação não é objetiva, e sim apenas um ponto de vista pessoal

O maior trunfo da casa do Inter na verdade é a localização, em absoluto contraste do Humaitá. O Beira-Rio está situado numa área nobre, quase às margens do Guaíba, ao lado do verde do Parque Marinha do Brasil e entre duas grandes avenidas, além de prédios residenciais, comércios e hotéis próximos. O fato de ser a sede da Copa do Mundo de 2014 incentivou a Prefeitura de Porto Alegre e o Governo do Estado do Rio Grande do Sul a acelerarem as obras de Mobilidade Urbana na região.

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Foto: Beira-Rio

Para quem não tem carro, o acesso ao Beira-Rio também é muito mais facilitado, pois o torcedor tem a opção de 12 linhas de ônibus – contra apenas duas na Arena. Além das opções de locomoção, o estádio colorado tem uma vantagem que não posso negar: sempre disse que o Guaíba tinha o melhor pôr do Sol que já vi na vida, e sem dúvida, esse é outro charme ao palco do rival, podendo dividir os olhares entre o céu alaranjado do entardecer com o verde dos gramados.

Outra vantagem do Beira-Rio é a compra de alimentos pelo cartão de débito e crédito, que pode ser feita sem problema algum nos estabelecimentos internos, enquanto por fora há opções de bares. Pela localização, paisagismo geral e acesso de transporte público, a área atrai mais pessoas durante os dias e principalmente nos fins de semana, tornando-se uma atração de lazer mais movimentada que a Arena em dias sem jogos.

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Foto: Beira-Rio

Há também os assentos confortáveis tanto quanto no estádio gremista. Todavia, as vantagens do Beira-Rio sobre a Arena acabam por aqui. Apesar de ser bonita pelas membranas em formato folhado que cobrem o estádio – efeitos de luzes dão ainda mais destaque –, a casa colorada não é imponente como a morada gremista. Em números exatos, a Arena tem 56 metros do chão ao teto, enquanto o Beira-Rio detém altura de 37 metros.

Os corredores internos e banheiros do Beira-Rio são cinza de concreto puro, sem a preocupação como se vê na Arena com acabamento de cores usadas pelo clube. Nas arquibancadas, o torcedor tem uma visão privilegiada, sem ponto cego, porém, também sem a mesma aproximação da torcida com os jogadores como ocorre no Humaitá.

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Em números, o Beira-Rio perde em quase todos os quesitos para Arena: tamanho dos telões (86 m² x 96,4 m²), sala de imprensa (250 m² com 150 assentos e 320 m² com 342 assentos), cabines de imprensa (14 x 34), espaço maior para bares na área interna, número de banheiros (88 x 238), entre outros pontos.

Conclusão de Arena x Beira-Rio

Ao analisar estádio por estádio, a Arena é consideravelmente melhor que o Beira-Rio. O palco gremista tem maior capacidade de público, é mais imponente, tem uma estrutura interna muito melhor acabada e mais completa que a casa colorada. Por sua vez, a Beira-Rio ganha da Arena quando o assunto é fatores externos: transporte público, acessibilidade e lazer no seu entorno. Há o charme do estádio, mas isso pode variar conforme o ponto de vista.

Enfim, por efeitos práticos, a Arena é o melhor estádio do Rio Grande do Sul – e sem dúvidas um dos melhores do mundo. O que não é um demérito para o Beira-Rio, que também é um grande estádio e merece o nosso respeito e consideração. Por bom senso, cabe tanto ao Grêmio como ao Inter observarem o que cada um tem de melhor e aperfeiçoar seus estádios.

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Um comentário em “Arena do Grêmio e Beira-Rio: O que um tem que o outro não tem?

  1. Resumindo a arena é muito melhor, pra falar mal da arena tem que falar mal do entorno e nao da arena em si, já o beira rio alem de ficar desproporcional e estranho o alongamento das arquibancadas, perde em muitos outros quesitos que nao foi citado, como por exemplo, area comercial que na arena é de 29 mil m² contra 6 mil do beira rio, a arena tem mais camarotes, mais cadeiras vips, mais estacionamento, enfim, sem comparação, alias pra comparar a arena com outra precisa sair do brasil, e mesmo assim fica dificil

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