Opinião de um palmeirense sobre Lucas Barrios

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Lucas Barrios é o atacante com melhor média de gols à disposição de Renato. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Contratado com pompas pelo Grêmio, o atacante Lucas Barrios carrega a esperança do torcedor gremista para ser o “fazedor de gols” prometido pela direção de futebol do presidente Romildo Bolzan para temporada 2017. Sem dúvida, o argentino naturalizado paraguaio tem peso, chega com mais experiência e média de gols melhor que os atacantes disponíveis ao técnico Renato Portaluppi (foram 196 gols em 448 jogos, dando uma média de 0,44 gol por partida). Em Terra de Jael, infelizmente lesionado por seis meses, Barrios tende a ser Rei.

No entanto, o entusiasmo pela contratação de Barrios não deve ser imune a ressalvas, mesmo porque o atacante teve altos e baixos no Palmeiras, antes de arrumar as malas e se mudar de São Paulo para Porto Alegre. Por essa razão, o Tribuna Gremista buscou a opinião do jornalista e sócio torcedor palmeirense Fábio Sales, espectador assíduo dos jogos do clube paulista no Allianz Parque. Segue abaixo o testemunho de quem acompanhou de perto a nova contratação gremista por um ano e meio.

Por Fábio Sales

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Foto: Cesar Greco/Agência Palmeiras

Contratado a peso de ouro para ser a estrela do time, Lucas Barrios chegou com pompas à Sociedade Esportiva Palmeiras. A equipe paulista precisava de um jogador experiente para ser o goleador nas competições nacionais do segundo semestre de 2015.  

Conhecido como La Pantera, desde os tempos de Argentinos Juniors, o atacante de 32 anos e 1,89m – natural de San Fernando, na Argentina, mas naturalizado paraguaio – chegou ao futebol brasileiro com o legado construído no Borussia Dortmund (Alemanha) – seu melhor momento na careira, ao marcar 50 gols em 83 jogos, entre 2009 a 2012, e a disputa da Copa do Mundo de 2010 com a seleção paraguaia. 

Porém, Barrios teve mais baixos do que altos e nunca conseguiu estabelecer uma sequência de partidas para se firmar como titular ao longo de uma temporada. Viveu de alguns lampejos. Sua melhor fase foi justamente quando chegou ao clube, após a disputa da Copa América, tendo papel fundamental na conquista da Copa do Brasil 2015.

Com o técnico Marcelo Oliveira, Barrios protagonizou momentos importantes, ao marcar o primeiro gol do jogo de volta contra o Cruzeiro, pelas oitavas de final, na vitória de 3 a 1, em pleno Mineirão, sendo decisivo nas semifinais contra o Fluminense, ao marcar os dois gols que levaram a decisão para as penalidades (vale lembrar que a equipe carioca foi a principal vítima do atacante – no dia 16 de setembro de 2015, pelo Campeonato Brasileiro, ele marcou um hat-trick, ao sair do banco de reservas e marcar o primeiro, o terceiro e o quarto gol da vitória do Verdão por 4 a 1.

Na fim, contra o Santos, Barrios também teve ótima atuação, ao dar assistência para Dudu inaugurar o placar, sendo escolhido o terceiro melhor jogador do Palmeiras na competição, atrás apenas do próprio Dudu e do goleiro Fernando Prass.

Barrios fechou 2015 com 5 gols no Brasileirão e 3 gols pela Copa do Brasil, totalizando 8 gols em 21 partidas, sendo 15 atuando como titular, com o seguinte retrospecto:  dez vitórias, três empates, oito derrotas.

O ano de 2016 tinha tudo para promissor. Porém, com a saída de Marcelo Oliveira e a chegada de Cuca, Barrios começou a perder espaço na formação inicial alviverde, mais pela condição física e algumas lesões do que pela capacidade técnica. Seria injusto culpar o treinador campeão brasileiro por preterir o “paraguaio”, uma vez que o mesmo nunca mais demonstrara condições de jogar uma partida inteira.

Fez apenas 1 gol pelo Brasileirão, 1 pela Copa Libertadores da América e 2 pelo Paulistão, totalizando apenas 4 gols durante toda a temporada em 22 jogos disputados. 

Com Eduardo Batista, Barrios também atuou poucas vezes em 2017. Mesmo com uma pré-temporada inteira para ficar em forma, o atacante amargou mais uma vez a reserva, ao perder espaço de vez com as chegadas de Keno, Willian e Borja. No entanto, nas poucas vezes que entrou em campo conseguiu deixou sua marca: no amistoso contra a Ponte Preta e, na quarta rodada do Paulistão, contra o Linense.

Mas o próprio já dava sinais de insatisfação com a reserva e aberto à possíveis negociações. Com a proposta do Tricolor Gaúcho e a garantia de ser titular, Barrios não pensou duas vezes. Abriu mão de dinheiro a receber do Palmeiras e da sua patrocinadora para assinar com o Grêmio e acertou a transferência, sendo liberado de disputar o clássico contra o Corinthians. 

Se avaliarmos o custo benefício da passagem de Barrios pelo Palmeiras, o retorno foi aquém do esperado para um jogador tão caro para os padrões brasileiros: atuou 45 vezes em praticamente um ano e meio e fez apenas 14 gols. Entre salário, luvas e valor da transferência, a Crefisa pagava mensalmente R$ 1 milhão ao atacante.

É compreensível a empolgação e a expectativa dos torcedores do Grêmio que enxergam em Barrios, aquele jogador que faltava para decidir em competições mais cascudas como a Copa Libertadores, tradição da equipe gaúcha em contar com centroavantes e goleadores natos na competição sul-americana como Tarciso e Jardel, apenas para citar dois ídolos do clube.

Em suma, Barrios é bom jogador. Tem habilidade para fazer o pivô, tabelar e finalizar… Se posiciona bem para o cabeceio. Resta saber se o fôlego e físico terão prazo de validade, assim como no Palmeiras. No mais, é inegável a importância do mesmo para a conquista do tri da Copa do Brasil e o respeito com a instituição, fato que se Barrios conseguir se manter em forma física e técnica, sem lesões, pode ser fundamental para a campanha do Grêmio na Libertadores. O futuro dirá!

Algumas estatísticas de Barrios nos últimos três anos:

Spartak Moscou (RUS) – de janeiro a agosto-2014: 8 jogos e 1 gol,  média de 0,12 gol/jogo

Montpellier (FRA) – de setembro-2014 a maio-2015: 33 jogos e 11 gols, média de 0,33 gol/jogo

Palmeiras (BRA) – de julho-2015 a fevereiro-2017: 45 jogos e 14 gols, média de  0,31 gol/jogo

Barcos não é o atacante que a torcida espera para o Grêmio

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Barcos fez 45 gols no Grêmio, mas não fez a diferença em momentos decisivos e é caro aos cofres do clube. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

À procura de um centroavante de ponta para compor a equipe do técnico Renato Portaluppi na temporada 2017, parte da torcida do Grêmio se antecipa em rejeitar um hipotético retorno de Hernán Barcos à Arena. E diante do retrospecto recente do atacante, o pedido é justo. Num time com jogadores decisivos como Luan, por exemplo, o argentino é dispensável. Embora tenha uma carreira de gols, ele perde tantos outros, é caro para as finanças do clube e já tem 32 anos.

O que me incomoda em Barcos é o roteiro de jogador em fase decadente de carreira que ele segue nas últimas temporadas. É estranho que o argentino não tenha se consolidado no Campeonato Português pelo Sporting, onde o nível técnico é mais baixo em comparação às ligas de ponta na América do Sul (no caso, Brasil e Argentina) e na Europa. Com o técnico Jorge Jesus, o atacante entrou em campo apenas em oito oportunidades na temporada 2015/2016, sem anotar um gol sequer.

Emprestado ao Velez Sarsfield, Barcos amargura a reserva no clube argentino. Neste domingo (18), o atacante chegou enfim ao seu segundo gol no Campeonato Argentino, de pênalti na derrota de 2 a 1 contra o Arsenal. O revés foi a 11ª partida dele defendendo as cores azul e branco da equipe de Buenos Aires (pisou nos gramados 609 minutos de 990 como relacionado). A equipe hoje amargura uma 24ª colocação entre 30 clubes disputando a liga neste ano.

Pelo Grêmio, Barcos fez 45 gols em 112 jogos, uma média que não chega a ser ruim, mas para um atacante que ganhava os especulados R$ 700 mil mensais, deixa a desejar. A lembrança do torcedor gremista é ver o jogador não ser decisivo quando o time mais precisava, como nas eliminações nas edições 2013 e 2014 da Copa Libertadores da América, com direito a uma cobrança de pênalti desperdiçada na eliminação contra o San Lorenzo na última.

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Sem sucesso no Sporting, Barcos repete a má fase no Velez Sarsfield. Foto: Divulgação

Do Tianjin Teda, da China, ao Sporting, Barcos acertou o salário de € 150 mil (equivalente a R$ 650 mil), em contrato até a metade de 2017, com opção de renovação por mais duas temporadas. Os portugueses fixaram uma multa rescisória de € 60 milhões (R$ 263 milhões). Ou seja, mesmo que o Grêmio quisesse repatriá-lo, teria duas opções: fazer um pré-contrato seis meses antes do término do vínculo com clube de Lisboa – ou seja, somente o contratando em julho – ou pagaria a rescisão em meio a um empréstimo com Velez. Ambas as opções também são inviáveis.

No ponto de vista técnico, melhor do que contratar Barcos, seria investir na qualificação de Pedro Rocha e Everton, que foram mais decisivos no Grêmio em 2016 do que o “El Pirata” nos dois anos em que vestiu a camisa. Os dois jogadores da base gremistas desperdiçam gols, mas já evoluíram no quesito finalização sob o comando de Renato.

No entanto, o Grêmio precisa qualificar o elenco para agora. Nomes como dos atacantes argentinos Jonathan Calleri (West Ham, Inglaterra) e Marco Rúben (Rosário Central, Argentina) me agradam. O primeiro é um goleador de 23 anos, praticamente carregou o limitado São Paulo na Libertadores 2016, tornando-se artilheiro da competição com nove gols. Mas acho difícil tirá-lo do futebol inglês. O segundo, com 30 anos, é um goleador ao nível de outro argentino, Lucas Pratto, do Atlético Mineiro.

Há também o nome do paraguaio Cecilio Dominguez, de 22 anos, hoje um dos artilheiros do Campeonato Paraguaio com 14 gols, fez o seu na goleada do time de Assunção de 4 a 1 sobre o Luqueno. Atualmente quinto colocado na competição, o “El Ciclón” é detentor de 50% dos direitos do jogador, sendo que a outra metade pertence ao Sol de América (também da capital paraguaia). Sua venda estaria entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões pelo jogador (entre R$ 26,4 milhões e R$ 33 milhões). Confesso que não acompanhei o jogador e por isso não tenho opinião formada.