Venda de Walace aumenta a cobrança a Romildo por reforços

walace-30-01-17

Walace foi peça importante para a conquista do ouro olímpico e da Copa do Brasil. Foto: Reprodução/Instagram

A venda de Walace estava programada pela gestão do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, desde o encerramento da temporada passada. Logo, a ida do volante ao Hamburgo não é novidade, aliás, é visto como alívio pelo Departamento de Futebol, pressionado por contratações de pesos para disputa da Copa Libertadores da América, mas ainda sem dinheiro em caixa para ousar no mercado. E com a saída desse atleta, campeão da Copa do Brasil e campeão olímpico pela Seleção Brasileira, pode apostar que a pressão pela vinda de um nome de peso será ainda maior.

A contratação do volante pelo Hamburgo dará retorno aproximadamente R$ 20 milhões aos cofres do Grêmio. É uma perda bastante sentida, pela qualidade técnica de Walace, uma das peças centrais às conquistas da Copa do Brasil e da medalha de ouro nas Olimpíadas do Rio de Janeiro no ano passado. Ao lado de Maicon, era o melhor volante do futebol gaúcho e um promissor atleta para o futebol europeu.

No entanto, o Grêmio já se estava preparado em uma eventual saída de Walace, já planejando a utilização maior de Jailson no time titular, contratando Michel e ainda tendo Ramiro ao setor. Portanto, ida do volante ao futebol europeu possivelmente causará um impacto menor do que seriam as vendas do atacante Luan e do zagueiro Pedro Geromel, esses atletas sim sem reposição à altura no elenco tricolor.

Com a transferência de Walace, o Grêmio tem obrigação de contratar um nome que chegue para ser titular no time do técnico Renato Portaluppi. Acho que Jadson é um bom nome no meio-campo, que precisa ter um parceiro e ao mesmo tempo uma alternativa ao Douglas. Se há um momento para ousar, esse momento é agora, faltando um pouco mais de um mês para a estreia do Tricolor para Libertadores.

Anúncios

Os malabarismos de Romildo para sonhar com a Libertadores

romildo-bolzan

Romildo deixa claro que sem vender um atleta, o Grêmio não terá dinheiro para um atacante. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pela cautela nas palavras, as entrevistas do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, quase sempre não entusiasmam os gremistas quando o assunto é contratações. Desde que assumiu, o gestor fala de responsabilidade nas finanças e que não fará “loucuras” que minem a contabilidade do clube em médio e longo prazo. Então nas últimas falas do dirigente, algo parece claro: se não vender Luan ou Wallace, o Tricolor não terá dinheiro para bancar um nome de impacto ao ataque para disputa da Copa Libertadores da América.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Romildo deixou clara a necessidade de vender um dos jogadores que hoje são peças fundamentais no time do técnico Renato Portaluppi. “O Grêmio precisa vender jogadores pra fazer caixa, pra fazer aquisições pontuais. O Grêmio não fez isso ainda. E, portanto, não temos condições de avançar em grandes contratações sem que tenhamos caixa pra isso”, explica.

Diante disso, o Grêmio somente contrata definitivamente, sem vender um de seus atletas, se achar um grande jogador em fim de contrato com seu clube ou que possa ser comprado sob uma pechincha. O que convenhamos, é muito difícil. Os principais atacantes no mercado têm preços e não são baratos. Entre os nomes desejados pela torcida, por exemplo, está o argentino Marco Ruben, que somente sai do Rosário Central sob valor de US$ 8 milhões pelo menos.

Uma possibilidade para driblar o teto financeiro é recorrer a empréstimos de jogadores. Nesse caso, o Grêmio poderia averiguar, se é que já não o fez, a possibilidade de contratar nesses moldes, Jonathan Calleri, que é o nome que mais me agrada entre os novos atacantes. Ele praticamente carregou nas costas um limitado São Paulo na Libertadores deste ano e foi artilheiro da competição com nove gols.

calleri-21-12-16

Calleri foi artilheiro da Libertadores 2016 com nove gols pelo São Paulo. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

O argentino pertence ao Deportivo Maldonado, da segunda divisão do futebol uruguaio e serve como espécie de barriga de aluguel. Emprestado ao West Ham até a metade de 2017, Calleri não se encontra em um bom momento, sem conseguir sequência para retomar a uma boa fase. O Grêmio pode ver a possibilidade de convencer os representantes do atleta a destacá-lo novamente na competição sul-americana, mas mesmo se viesse, provavelmente ficaria na Arena por um semestre.

Barcos é outro atleta que viria também por meio de empréstimo, porém, o Grêmio teria de convencer o Sporting, dono dos direitos federativos do atacante e o Velez Sarsfield a abrir mão do jogador em vínculo que também vai até a metade do semestre. Entretanto, os grandes entraves são salários altos (ganha quase o equivalente a R$ 650 mil no clube português) e a aparente fase derradeira do atleta, o que o faz não ser o nome favorito da torcida, como descrevi aqui.

Logo, Romildo terá de fazer malabarismo para chegar forte à Libertadores do próximo ano. Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Grêmio precisa se qualificar para alçar voos mais altos. No entanto, como fazer isso vendendo Luan ou Wallace, que são fundamentais hoje no time de Renato? Na visão da direção, ou consegue empréstimo – não vendendo um de seus atletas – ou dá um passo para trás e acertar com tiro certeiros com reposições, sem chance de errar nessas contratações.

Barcos não é o atacante que a torcida espera para o Grêmio

barcos-20-12-2016

Barcos fez 45 gols no Grêmio, mas não fez a diferença em momentos decisivos e é caro aos cofres do clube. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

À procura de um centroavante de ponta para compor a equipe do técnico Renato Portaluppi na temporada 2017, parte da torcida do Grêmio se antecipa em rejeitar um hipotético retorno de Hernán Barcos à Arena. E diante do retrospecto recente do atacante, o pedido é justo. Num time com jogadores decisivos como Luan, por exemplo, o argentino é dispensável. Embora tenha uma carreira de gols, ele perde tantos outros, é caro para as finanças do clube e já tem 32 anos.

O que me incomoda em Barcos é o roteiro de jogador em fase decadente de carreira que ele segue nas últimas temporadas. É estranho que o argentino não tenha se consolidado no Campeonato Português pelo Sporting, onde o nível técnico é mais baixo em comparação às ligas de ponta na América do Sul (no caso, Brasil e Argentina) e na Europa. Com o técnico Jorge Jesus, o atacante entrou em campo apenas em oito oportunidades na temporada 2015/2016, sem anotar um gol sequer.

Emprestado ao Velez Sarsfield, Barcos amargura a reserva no clube argentino. Neste domingo (18), o atacante chegou enfim ao seu segundo gol no Campeonato Argentino, de pênalti na derrota de 2 a 1 contra o Arsenal. O revés foi a 11ª partida dele defendendo as cores azul e branco da equipe de Buenos Aires (pisou nos gramados 609 minutos de 990 como relacionado). A equipe hoje amargura uma 24ª colocação entre 30 clubes disputando a liga neste ano.

Pelo Grêmio, Barcos fez 45 gols em 112 jogos, uma média que não chega a ser ruim, mas para um atacante que ganhava os especulados R$ 700 mil mensais, deixa a desejar. A lembrança do torcedor gremista é ver o jogador não ser decisivo quando o time mais precisava, como nas eliminações nas edições 2013 e 2014 da Copa Libertadores da América, com direito a uma cobrança de pênalti desperdiçada na eliminação contra o San Lorenzo na última.

barcos2-20-12-2016

Sem sucesso no Sporting, Barcos repete a má fase no Velez Sarsfield. Foto: Divulgação

Do Tianjin Teda, da China, ao Sporting, Barcos acertou o salário de € 150 mil (equivalente a R$ 650 mil), em contrato até a metade de 2017, com opção de renovação por mais duas temporadas. Os portugueses fixaram uma multa rescisória de € 60 milhões (R$ 263 milhões). Ou seja, mesmo que o Grêmio quisesse repatriá-lo, teria duas opções: fazer um pré-contrato seis meses antes do término do vínculo com clube de Lisboa – ou seja, somente o contratando em julho – ou pagaria a rescisão em meio a um empréstimo com Velez. Ambas as opções também são inviáveis.

No ponto de vista técnico, melhor do que contratar Barcos, seria investir na qualificação de Pedro Rocha e Everton, que foram mais decisivos no Grêmio em 2016 do que o “El Pirata” nos dois anos em que vestiu a camisa. Os dois jogadores da base gremistas desperdiçam gols, mas já evoluíram no quesito finalização sob o comando de Renato.

No entanto, o Grêmio precisa qualificar o elenco para agora. Nomes como dos atacantes argentinos Jonathan Calleri (West Ham, Inglaterra) e Marco Rúben (Rosário Central, Argentina) me agradam. O primeiro é um goleador de 23 anos, praticamente carregou o limitado São Paulo na Libertadores 2016, tornando-se artilheiro da competição com nove gols. Mas acho difícil tirá-lo do futebol inglês. O segundo, com 30 anos, é um goleador ao nível de outro argentino, Lucas Pratto, do Atlético Mineiro.

Há também o nome do paraguaio Cecilio Dominguez, de 22 anos, hoje um dos artilheiros do Campeonato Paraguaio com 14 gols, fez o seu na goleada do time de Assunção de 4 a 1 sobre o Luqueno. Atualmente quinto colocado na competição, o “El Ciclón” é detentor de 50% dos direitos do jogador, sendo que a outra metade pertence ao Sol de América (também da capital paraguaia). Sua venda estaria entre US$ 8 milhões e US$ 10 milhões pelo jogador (entre R$ 26,4 milhões e R$ 33 milhões). Confesso que não acompanhei o jogador e por isso não tenho opinião formada.