O certo é incerto

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(Foto: Augusto Gomes)

A contratação de Kayke estava certa, era ao menos o que todos pensávamos. O atleta chegou a vir para Porto Alegre para exames médicos, no qual foi aprovado, mas devido a desacertos em cláusulas de contrato, o Grêmio anunciou oficialmente a finalização de negociações pelo atleta nesta quinta-feira (05).

A ideia inicial da diretoria é contratar dois atacantes, mas sem a concretização da admissão do atacante Kayke, agora se têm duas vagas em aberto e nomes como Gabriel Fernández e Cristian Colmán são cogitados. Ambos jovens e cheios de fôlego. Fernández, conhecido mais como “El Toro” por sua capacidade física, é o nome mais próximo de chegar ao clube, podendo ser anunciado semana que vem. O garoto foi goleador do Campeonato Uruguaio, e chegaria como uma grande promessa para o tricolor.

Agora é a vez do Grêmio realmente investir em seus jogadores. Sejam garotos jovens, mais experientes, latinos ou nacionais. Precisamos de time guerreiro. Esse ano que chega pode e pretende ser um ano de grandes conquistas. A demora por apresentações pra mim é justificável. Grandes times se formam com tempo, mas também não sem esperteza. E é melhor não brincar com ela. Porque esse ano, eu quero ser a rainha de copas!

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Ainda falta algo nas contratações do Grêmio

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Kaike é a segunda contratação do Grêmio para 2017. Foto: Reprodução / Twitter Kayke

O Grêmio deve confirmar nesta terça-feira (03) a contratação do atacante Kaike, o segundo jogador a ser anunciado pela direção, após o volante Michel. A exemplo do primeiro, o novo reforço do setor ofensivo é, na teoria, para formar elenco, sem status de titularidade. Mesmo compreendendo e aprovando a política de responsabilidade financeira nas contratações na gestão do presidente Romildo Bolzan, ainda fica a sensação: falta um novo titular incontestável no time.

Imagino que o torcedor gremista esteja desconfortado com as notícias de reforços para equipe do técnico Renato Portaluppi e isso é compreensível. Até aqui, vemos um Palmeiras, financiado pela Crefisa, ostentando contratações (atacante Keno e os meias Alejandro Guerra, Hyoran, Michel Bastos e Raphael Veiga) e ainda no primeiro dia útil de 2017, o Flamengo anunciou o meia argentino Darío Conca. Antes da virada do ano, o Botafogo já tinha acertado com o meia Montillo.

Não critico a política de austeridade de Romildo, ao contrário, acho necessária para médio prazo o Grêmio se fortalecer mais dentro e fora de campo. Mesmo assim, não há como se entusiasmar com as contratações até aqui, embora não as critique, visando o calendário caótico do Grêmio para este ano, podendo chegar até a 88 partidas – Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil, Primeira Liga, Campeonato Brasileiro e, se conquistar a Copa Libertadores da América, ainda viria o Mundial de Clubes da Fifa.

Michel e Kaike são contratações para elenco. O novo atacante gremista deve ser uma espécie de Bobô, não em função em característica em campo, mas por ser aquela peça que entra no decorrer do jogo e ora salva e ora nem aparece na foto. Outro nome que pode ser brevemente confirmado é o “delantero” Gabriel Fernandez, artilheiro do Campeonato Uruguaio 2016 pelo Racing com oito gols. No entanto, é um jogador pouco conhecido, também desembarcaria na Arena como outra incógnita.

No terceiro dia de 2017, o Grêmio ainda mantém a esperança por meio do time campeão da Copa do Brasil, Sabemos, porém, que não há garantia nenhuma dessa equipe se portar como um dos grandes favoritos à Libertadores. Ainda somos dependentes de Douglas e estamos desprovidos de goleador. E, o mais agravante: não temos elenco para chegar forte em todas as competições de 2017, colocando-nos num cenário perigoso quando dividirmos a atenção entre a competição sul-americana com o Brasileirão no segundo semestre.

Romildo Bolzan acerta em não fazer loucuras

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Marinho, atacante do Vitória, dificilmente virá ao Grêmio. Foto: EC Vitória

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, acerta mais uma vez em não fazer loucuras com contratações, mesmo que para isso tenha de contrariar a expectativa de parte da torcida. Um exemplo que se encaixa nesse cenário é Marinho, atacante que teve um desempenho excepcional na temporada 2016, sendo o maior responsável por livrar o Vitória do rebaixamento ao Campeonato Brasileiro da Série B, o qual o mandatário fez ponderações corretas sobre o atleta.

No programa Sala de Redação de sexta-feira (30), na Rádio Gaúcha, Romildo teve uma opinião sincera sobre contratações, inclusive, sobre Marinho. O presidente gremista lembrou que o jogador tem 27 anos, já um bom tempo de rodagem no futebol, mas teve somente apenas um ano excepcional com o Vitória na última temporada. Ou seja, segundo o dirigente, não se pode participar de leilão pelo atacante, muito menos avaliando apenas um ano de sua carreira.

E Romildo faz muito bem, pois Marinho não conseguiu se firmar em nenhum grande clube que passou: Fluminense, Internacional e mais recentemente o Cruzeiro, na temporada 2015 – foram 12 jogos e apenas um gol com a camisa da Raposa. Logo, não se pode cair na tentação de oferecer um salário astronômico a um jogador que se destacou apenas por um ano em um clube gigante regionalmente, porém, não nacionalmente, como o Vitória.

Na lógica, Marinho deveria receber um salário digno de seu tempo em geral como jogador, logo, cerca de R$ 100 mil mensais no máximo seriam coerentes. No entanto, o jogador do Vitória está desmesuradamente valorizado no mercado, é flertado pelo agora milionário futebol chinês, tendo possivelmente o Flamengo disposto a fazer loucuras financeiras. O atleta não erra em buscar o melhor ganho financeiro, assim como o clube em manter a solidez de sua política financeira.

Tenho a certeza de que se o Grêmio fosse administrado hoje por Paulo Odone e até mesmo Fábio Koff, cairíamos mais vez na tentação de fazer loucuras, como fizemos com Kleber (cerca de R$ 500 mil de salários), Marcelo Moreno (idem), Fernandinho (R$ 350 mil), Barcos (R$ 700 mil) e tantos outros que limparam os cofres do clube sem trazer algum título para torcida gremista. Situação essa que deixou o Tricolor numa situação complexa nas finanças desde a posse da atual gestão.

Romildo faz o dever de casa na política de contratações, mesmo isso contrariando parte da torcida. Já vimos que loucuras por atletas, de medianos a bons – todos longe de serem craques –, não dão certo em médio e longo prazo, visto que comprometem as finanças do clube e tiram mais cedo ou mais tarde um futuro de títulos. No caso do presidente, com paciência e comendo pelas beiradas, no estilo mineiro, chegamos ao título da Copa do Brasil. E por que não acreditar na sequência de conquistas dessa forma?

Os malabarismos de Romildo para sonhar com a Libertadores

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Romildo deixa claro que sem vender um atleta, o Grêmio não terá dinheiro para um atacante. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pela cautela nas palavras, as entrevistas do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, quase sempre não entusiasmam os gremistas quando o assunto é contratações. Desde que assumiu, o gestor fala de responsabilidade nas finanças e que não fará “loucuras” que minem a contabilidade do clube em médio e longo prazo. Então nas últimas falas do dirigente, algo parece claro: se não vender Luan ou Wallace, o Tricolor não terá dinheiro para bancar um nome de impacto ao ataque para disputa da Copa Libertadores da América.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Romildo deixou clara a necessidade de vender um dos jogadores que hoje são peças fundamentais no time do técnico Renato Portaluppi. “O Grêmio precisa vender jogadores pra fazer caixa, pra fazer aquisições pontuais. O Grêmio não fez isso ainda. E, portanto, não temos condições de avançar em grandes contratações sem que tenhamos caixa pra isso”, explica.

Diante disso, o Grêmio somente contrata definitivamente, sem vender um de seus atletas, se achar um grande jogador em fim de contrato com seu clube ou que possa ser comprado sob uma pechincha. O que convenhamos, é muito difícil. Os principais atacantes no mercado têm preços e não são baratos. Entre os nomes desejados pela torcida, por exemplo, está o argentino Marco Ruben, que somente sai do Rosário Central sob valor de US$ 8 milhões pelo menos.

Uma possibilidade para driblar o teto financeiro é recorrer a empréstimos de jogadores. Nesse caso, o Grêmio poderia averiguar, se é que já não o fez, a possibilidade de contratar nesses moldes, Jonathan Calleri, que é o nome que mais me agrada entre os novos atacantes. Ele praticamente carregou nas costas um limitado São Paulo na Libertadores deste ano e foi artilheiro da competição com nove gols.

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Calleri foi artilheiro da Libertadores 2016 com nove gols pelo São Paulo. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

O argentino pertence ao Deportivo Maldonado, da segunda divisão do futebol uruguaio e serve como espécie de barriga de aluguel. Emprestado ao West Ham até a metade de 2017, Calleri não se encontra em um bom momento, sem conseguir sequência para retomar a uma boa fase. O Grêmio pode ver a possibilidade de convencer os representantes do atleta a destacá-lo novamente na competição sul-americana, mas mesmo se viesse, provavelmente ficaria na Arena por um semestre.

Barcos é outro atleta que viria também por meio de empréstimo, porém, o Grêmio teria de convencer o Sporting, dono dos direitos federativos do atacante e o Velez Sarsfield a abrir mão do jogador em vínculo que também vai até a metade do semestre. Entretanto, os grandes entraves são salários altos (ganha quase o equivalente a R$ 650 mil no clube português) e a aparente fase derradeira do atleta, o que o faz não ser o nome favorito da torcida, como descrevi aqui.

Logo, Romildo terá de fazer malabarismo para chegar forte à Libertadores do próximo ano. Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Grêmio precisa se qualificar para alçar voos mais altos. No entanto, como fazer isso vendendo Luan ou Wallace, que são fundamentais hoje no time de Renato? Na visão da direção, ou consegue empréstimo – não vendendo um de seus atletas – ou dá um passo para trás e acertar com tiro certeiros com reposições, sem chance de errar nessas contratações.