Os malabarismos de Romildo para sonhar com a Libertadores

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Romildo deixa claro que sem vender um atleta, o Grêmio não terá dinheiro para um atacante. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pela cautela nas palavras, as entrevistas do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, quase sempre não entusiasmam os gremistas quando o assunto é contratações. Desde que assumiu, o gestor fala de responsabilidade nas finanças e que não fará “loucuras” que minem a contabilidade do clube em médio e longo prazo. Então nas últimas falas do dirigente, algo parece claro: se não vender Luan ou Wallace, o Tricolor não terá dinheiro para bancar um nome de impacto ao ataque para disputa da Copa Libertadores da América.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Romildo deixou clara a necessidade de vender um dos jogadores que hoje são peças fundamentais no time do técnico Renato Portaluppi. “O Grêmio precisa vender jogadores pra fazer caixa, pra fazer aquisições pontuais. O Grêmio não fez isso ainda. E, portanto, não temos condições de avançar em grandes contratações sem que tenhamos caixa pra isso”, explica.

Diante disso, o Grêmio somente contrata definitivamente, sem vender um de seus atletas, se achar um grande jogador em fim de contrato com seu clube ou que possa ser comprado sob uma pechincha. O que convenhamos, é muito difícil. Os principais atacantes no mercado têm preços e não são baratos. Entre os nomes desejados pela torcida, por exemplo, está o argentino Marco Ruben, que somente sai do Rosário Central sob valor de US$ 8 milhões pelo menos.

Uma possibilidade para driblar o teto financeiro é recorrer a empréstimos de jogadores. Nesse caso, o Grêmio poderia averiguar, se é que já não o fez, a possibilidade de contratar nesses moldes, Jonathan Calleri, que é o nome que mais me agrada entre os novos atacantes. Ele praticamente carregou nas costas um limitado São Paulo na Libertadores deste ano e foi artilheiro da competição com nove gols.

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Calleri foi artilheiro da Libertadores 2016 com nove gols pelo São Paulo. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

O argentino pertence ao Deportivo Maldonado, da segunda divisão do futebol uruguaio e serve como espécie de barriga de aluguel. Emprestado ao West Ham até a metade de 2017, Calleri não se encontra em um bom momento, sem conseguir sequência para retomar a uma boa fase. O Grêmio pode ver a possibilidade de convencer os representantes do atleta a destacá-lo novamente na competição sul-americana, mas mesmo se viesse, provavelmente ficaria na Arena por um semestre.

Barcos é outro atleta que viria também por meio de empréstimo, porém, o Grêmio teria de convencer o Sporting, dono dos direitos federativos do atacante e o Velez Sarsfield a abrir mão do jogador em vínculo que também vai até a metade do semestre. Entretanto, os grandes entraves são salários altos (ganha quase o equivalente a R$ 650 mil no clube português) e a aparente fase derradeira do atleta, o que o faz não ser o nome favorito da torcida, como descrevi aqui.

Logo, Romildo terá de fazer malabarismo para chegar forte à Libertadores do próximo ano. Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Grêmio precisa se qualificar para alçar voos mais altos. No entanto, como fazer isso vendendo Luan ou Wallace, que são fundamentais hoje no time de Renato? Na visão da direção, ou consegue empréstimo – não vendendo um de seus atletas – ou dá um passo para trás e acertar com tiro certeiros com reposições, sem chance de errar nessas contratações.

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