A polêmica requentada da Fifa sobre os Mundiais Interclubes

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Confesso que não entendi a tamanha polêmica sobre o posicionamento da Fifa, agora presidida por Gianni Infantino, em não reconhecer oficialmente a Copa Intercontinental, de 1960 a 2004, e a Copa Rio, disputada em 1951, como Mundiais Interclubes. Primeiro porque não é uma postura nova da entidade, já que esse posicionamento também ocorria na gestão do ex-presidente Joseph Blatter. Segundo que não precisamos do reconhecimento da entidade, já que a história nos reconhece como Campeões Mundiais. E a Fifa não é maior que a história do futebol.

O futebol nasceu em 1863, a Fifa em 1904, é a entidade máxima do futebol, mas não a dona e nem criadora do futebol. O esporte não tem culpa se a dona Fifa passou de 1960 a 2004 sem realizar uma competição mundial de clubes. Logo, a lacuna foi preenchida, como deve ser sempre na falta de movimento de uma entidade que, na ocasião, ainda não enxergara motivos políticos e econômicos para bancar tal competição.

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Gianni Infantino (direita) apenas manteve o posicionamento do antecessor Joseph Blatter; ou seja, a nota foi nada mais que uma polêmica requentada. Fotos: Divulgação

A Fifa nada mais faz do que privilegiar as competições sob sua chancela e está claro o interesse político por trás disso e sempre foi assim. Tal postura não é novidade, por essa razão, achei desmesurada tal repercussão da nota. Claro que isso foi o suficiente para reacender os debates entre gremistas e colorados, além de corintianos com são-paulinos e palmeirenses e assim vai. No entanto, qualquer torcedor que não seja cego pelo clubismo sabe o quão essa discussão é fútil.

A respeito dos colorados, todos sabemos que se o Internacional, hipoteticamente, ganhasse a Copa Intercontinental em 1980 (quando foi vice-campeão da Copa Libertadores da América) e somado com o Mundial de Clubes da Fifa em 2006, o torcedor encheria o peito para dizer que seria Bicampeão Mundial, assim como fazem hoje os são-paulinos (tricampeões), os torcedores do Real Madrid (pentacampeões) e Milan (tetracampeões), por exemplo. Ou seja, a discussão se trata apenas de clubismo cego.

Aliás, o Grêmio ser Campeão do Mundo em 1983 pela Copa Intercontinental é um motivo de imenso orgulho. Somos campeões da mesma competição do Santos de Pelé, do Real Madrid de Di Stéfano e Puskás, Bayern Munich de Franz Beckenbauer, Ajax de Johan Cruijff, Flamengo de Zico, entre outros. O Grêmio está nesta lista, por meio de Renato Portaluppi. Logo, nós sim podemos ser Campeões do Mundo pela Copa Intercontinental e futuramente pelo Mundial de Clubes da Fifa, enquanto eles não podem mais.

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O Grêmio de Renato Portaluppi é Campeão do Mundo ao lado do Santos de Pelé (foto), do Real Madrid de Di Stéfano e Puskás, Bayern Munich de Franz Beckenbauer, Ajax de Johan Cruijff, Flamengo de Zico e outros. Foto: Divulgação

Sobre o argumento de que o mundo não se resume a dois continentes, vale frisar que em 1983, por exemplo, não tivemos campeões continentais na Ásia e nem na Oceania. Ou seja, não pode comparar a formulação de um torneio nos moldes de hoje com o contexto da Copa Intercontinental, por exemplo.

E antes do Mundial de Clubes da Fifa, existia a Copa Intercontinental, em caráter de Mundial Interclubes, jogado pelos campeões da Copa Libertadores da América e da Liga dos Campeões da Europa, os dois maiores continentes no futebol, até hoje detentores de todas as 20 edições de Copas do Mundo e todos mundiais entre clubes. E a Copa Intercontinental é reconhecida por ser Mundial por Boca Juniors, River Plate, Ajax, Manchester United, Real Madrid, Milan, Internazionale, Juventus e outros clubes (veja mais aqui).

Aliás, fico feliz que os colorados estejam em êxtase com tal notícia, já que eles precisam de alegria mesmo, pois hoje o Inter está no Campeonato Brasileiro da Série B e não consegue sequer vencer o modesto Tubarão em um amistoso. Isso explica o fato de se não atentarem ao detalhe da nota da Fifa, na qual reconhece o “caráter mundial” da Copa Intercontinental e da Copa Rio conquistada pelo Palmeiras.

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Rio Grande do Sul segue tendo dois Campeões Mundiais: o Grêmio pela Copa Intercontinental e o Inter pelo Mundial de Clubes da Fifa, nada mudou. Fotos: Divulgação

Portanto, nada muda com a nota, nem a postura rasa da Fifa, tampouco a história dos fatos. Para Fifa, o Grêmio pode não ser Campeão do Mundo, isso não me preocupa. Aliás, a entidade comandada por Gianni Infantino tem assuntos mais importantes a resolver, como acabar com a lama de corrupção dentro dela. Entretanto, para história, nós somos Campeões do Mundo.

E se um colorado vier falar algo a respeito, com intuito de desmerecer a nossa conquista, apenas agradeça a ele pelo fato do Inter dar ao Grêmio as faixas de “Campeão do Mundo”, em 26 de janeiro de 1984, no amistoso chamado “Grenal das Faixas” (clássico número 268), no qual o Grêmio venceu o Inter por 4 a 2 no Estádio Olímpico Monumental. Ou seja, o próprio Inter nos reconheceu como Campeões Mundiais e nada apagará essa história (veja as fotos abaixo).

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