Ainda falta algo nas contratações do Grêmio

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Kaike é a segunda contratação do Grêmio para 2017. Foto: Reprodução / Twitter Kayke

O Grêmio deve confirmar nesta terça-feira (03) a contratação do atacante Kaike, o segundo jogador a ser anunciado pela direção, após o volante Michel. A exemplo do primeiro, o novo reforço do setor ofensivo é, na teoria, para formar elenco, sem status de titularidade. Mesmo compreendendo e aprovando a política de responsabilidade financeira nas contratações na gestão do presidente Romildo Bolzan, ainda fica a sensação: falta um novo titular incontestável no time.

Imagino que o torcedor gremista esteja desconfortado com as notícias de reforços para equipe do técnico Renato Portaluppi e isso é compreensível. Até aqui, vemos um Palmeiras, financiado pela Crefisa, ostentando contratações (atacante Keno e os meias Alejandro Guerra, Hyoran, Michel Bastos e Raphael Veiga) e ainda no primeiro dia útil de 2017, o Flamengo anunciou o meia argentino Darío Conca. Antes da virada do ano, o Botafogo já tinha acertado com o meia Montillo.

Não critico a política de austeridade de Romildo, ao contrário, acho necessária para médio prazo o Grêmio se fortalecer mais dentro e fora de campo. Mesmo assim, não há como se entusiasmar com as contratações até aqui, embora não as critique, visando o calendário caótico do Grêmio para este ano, podendo chegar até a 88 partidas – Campeonato Gaúcho, Copa do Brasil, Primeira Liga, Campeonato Brasileiro e, se conquistar a Copa Libertadores da América, ainda viria o Mundial de Clubes da Fifa.

Michel e Kaike são contratações para elenco. O novo atacante gremista deve ser uma espécie de Bobô, não em função em característica em campo, mas por ser aquela peça que entra no decorrer do jogo e ora salva e ora nem aparece na foto. Outro nome que pode ser brevemente confirmado é o “delantero” Gabriel Fernandez, artilheiro do Campeonato Uruguaio 2016 pelo Racing com oito gols. No entanto, é um jogador pouco conhecido, também desembarcaria na Arena como outra incógnita.

No terceiro dia de 2017, o Grêmio ainda mantém a esperança por meio do time campeão da Copa do Brasil, Sabemos, porém, que não há garantia nenhuma dessa equipe se portar como um dos grandes favoritos à Libertadores. Ainda somos dependentes de Douglas e estamos desprovidos de goleador. E, o mais agravante: não temos elenco para chegar forte em todas as competições de 2017, colocando-nos num cenário perigoso quando dividirmos a atenção entre a competição sul-americana com o Brasileirão no segundo semestre.

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Romildo Bolzan acerta em não fazer loucuras

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Marinho, atacante do Vitória, dificilmente virá ao Grêmio. Foto: EC Vitória

O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, acerta mais uma vez em não fazer loucuras com contratações, mesmo que para isso tenha de contrariar a expectativa de parte da torcida. Um exemplo que se encaixa nesse cenário é Marinho, atacante que teve um desempenho excepcional na temporada 2016, sendo o maior responsável por livrar o Vitória do rebaixamento ao Campeonato Brasileiro da Série B, o qual o mandatário fez ponderações corretas sobre o atleta.

No programa Sala de Redação de sexta-feira (30), na Rádio Gaúcha, Romildo teve uma opinião sincera sobre contratações, inclusive, sobre Marinho. O presidente gremista lembrou que o jogador tem 27 anos, já um bom tempo de rodagem no futebol, mas teve somente apenas um ano excepcional com o Vitória na última temporada. Ou seja, segundo o dirigente, não se pode participar de leilão pelo atacante, muito menos avaliando apenas um ano de sua carreira.

E Romildo faz muito bem, pois Marinho não conseguiu se firmar em nenhum grande clube que passou: Fluminense, Internacional e mais recentemente o Cruzeiro, na temporada 2015 – foram 12 jogos e apenas um gol com a camisa da Raposa. Logo, não se pode cair na tentação de oferecer um salário astronômico a um jogador que se destacou apenas por um ano em um clube gigante regionalmente, porém, não nacionalmente, como o Vitória.

Na lógica, Marinho deveria receber um salário digno de seu tempo em geral como jogador, logo, cerca de R$ 100 mil mensais no máximo seriam coerentes. No entanto, o jogador do Vitória está desmesuradamente valorizado no mercado, é flertado pelo agora milionário futebol chinês, tendo possivelmente o Flamengo disposto a fazer loucuras financeiras. O atleta não erra em buscar o melhor ganho financeiro, assim como o clube em manter a solidez de sua política financeira.

Tenho a certeza de que se o Grêmio fosse administrado hoje por Paulo Odone e até mesmo Fábio Koff, cairíamos mais vez na tentação de fazer loucuras, como fizemos com Kleber (cerca de R$ 500 mil de salários), Marcelo Moreno (idem), Fernandinho (R$ 350 mil), Barcos (R$ 700 mil) e tantos outros que limparam os cofres do clube sem trazer algum título para torcida gremista. Situação essa que deixou o Tricolor numa situação complexa nas finanças desde a posse da atual gestão.

Romildo faz o dever de casa na política de contratações, mesmo isso contrariando parte da torcida. Já vimos que loucuras por atletas, de medianos a bons – todos longe de serem craques –, não dão certo em médio e longo prazo, visto que comprometem as finanças do clube e tiram mais cedo ou mais tarde um futuro de títulos. No caso do presidente, com paciência e comendo pelas beiradas, no estilo mineiro, chegamos ao título da Copa do Brasil. E por que não acreditar na sequência de conquistas dessa forma?

Os malabarismos de Romildo para sonhar com a Libertadores

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Romildo deixa claro que sem vender um atleta, o Grêmio não terá dinheiro para um atacante. Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA

Pela cautela nas palavras, as entrevistas do presidente do Grêmio, Romildo Bolzan, quase sempre não entusiasmam os gremistas quando o assunto é contratações. Desde que assumiu, o gestor fala de responsabilidade nas finanças e que não fará “loucuras” que minem a contabilidade do clube em médio e longo prazo. Então nas últimas falas do dirigente, algo parece claro: se não vender Luan ou Wallace, o Tricolor não terá dinheiro para bancar um nome de impacto ao ataque para disputa da Copa Libertadores da América.

Em entrevista à Rádio Guaíba, Romildo deixou clara a necessidade de vender um dos jogadores que hoje são peças fundamentais no time do técnico Renato Portaluppi. “O Grêmio precisa vender jogadores pra fazer caixa, pra fazer aquisições pontuais. O Grêmio não fez isso ainda. E, portanto, não temos condições de avançar em grandes contratações sem que tenhamos caixa pra isso”, explica.

Diante disso, o Grêmio somente contrata definitivamente, sem vender um de seus atletas, se achar um grande jogador em fim de contrato com seu clube ou que possa ser comprado sob uma pechincha. O que convenhamos, é muito difícil. Os principais atacantes no mercado têm preços e não são baratos. Entre os nomes desejados pela torcida, por exemplo, está o argentino Marco Ruben, que somente sai do Rosário Central sob valor de US$ 8 milhões pelo menos.

Uma possibilidade para driblar o teto financeiro é recorrer a empréstimos de jogadores. Nesse caso, o Grêmio poderia averiguar, se é que já não o fez, a possibilidade de contratar nesses moldes, Jonathan Calleri, que é o nome que mais me agrada entre os novos atacantes. Ele praticamente carregou nas costas um limitado São Paulo na Libertadores deste ano e foi artilheiro da competição com nove gols.

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Calleri foi artilheiro da Libertadores 2016 com nove gols pelo São Paulo. Foto: Rubens Chiri/São Paulo FC

O argentino pertence ao Deportivo Maldonado, da segunda divisão do futebol uruguaio e serve como espécie de barriga de aluguel. Emprestado ao West Ham até a metade de 2017, Calleri não se encontra em um bom momento, sem conseguir sequência para retomar a uma boa fase. O Grêmio pode ver a possibilidade de convencer os representantes do atleta a destacá-lo novamente na competição sul-americana, mas mesmo se viesse, provavelmente ficaria na Arena por um semestre.

Barcos é outro atleta que viria também por meio de empréstimo, porém, o Grêmio teria de convencer o Sporting, dono dos direitos federativos do atacante e o Velez Sarsfield a abrir mão do jogador em vínculo que também vai até a metade do semestre. Entretanto, os grandes entraves são salários altos (ganha quase o equivalente a R$ 650 mil no clube português) e a aparente fase derradeira do atleta, o que o faz não ser o nome favorito da torcida, como descrevi aqui.

Logo, Romildo terá de fazer malabarismo para chegar forte à Libertadores do próximo ano. Mesmo campeão da Copa do Brasil, o Grêmio precisa se qualificar para alçar voos mais altos. No entanto, como fazer isso vendendo Luan ou Wallace, que são fundamentais hoje no time de Renato? Na visão da direção, ou consegue empréstimo – não vendendo um de seus atletas – ou dá um passo para trás e acertar com tiro certeiros com reposições, sem chance de errar nessas contratações.

Deu a lógica: Romildo Bolzar é reeleito com 85% dos votos

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Romildo teve 5.605 votos, contra 963 de Raul Mendes. Foto: Lucas Uebel

Sem surpresas na eleição presidencial do Grêmio, realizada neste sábado (12), na Arena. Com 5.605 votos (85,3%) contra 963 (14,7%) da chapa adversária, Romildo Bolzan Júnior foi reeleito presidente do clube para o triênio 2017-2019, superando o ex-jogador Raul Mendes. Como previsto, o sócio-torcedor deu o voto de confiança pela expectativa da final da Copa do Brasil e também pela politica financeira do dirigente.

No total, 6.602 associados votaram na eleição presidencial, sendo 2.101 presenciais e 4.501 votos pela Internet, com o registro da participação de sócios de 24 países e 329 municípios do Brasil, segundo informações oficiais do Grêmio. A exemplo dos pleitos anteriores, a abstenção dos sócios segue grande: apenas 17,28%, dos 38.201 aptos a participar da escolha do presidente, deram seus votos.

A vitória expressiva de Romildo foi uma amostra da aprovação da torcida quanto à política administrativa, na contratação e formação de jogadores da base, da reorganização financeira do clube, dos esforços da direção para a compra definitiva da Arena e a confiança no título da Copa do Brasil, ante o Atlético Mineiro, nos dias 23 e 30 de novembro. Também a garantia de manutenção de Renato Portaluppi no comando técnico da equipe pode ser outro fator a favor do presidente reeleito.

Junto com o Romildo, o Conselho Administrativo contará com seis vice-presidentes: o ex-presidente Duda Kroeff, Adalberto Preis, Claudio Oderich, Marcos Herrmann, Paulo Luz e Sergei Costa.

Os ventos sopram para reeleição de Romildo Bolzan

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Raul Mendes (esquerda) e Romildo Bolzan (direita) disputam os votos dos associados na eleição presidencial. Foto: Luciano Amoretti/Grêmio FPBA

Em meio à interrupção do Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil, o Grêmio se volta ao processo eleitoral o qual definirá o novo presidente para o triênio 2017-2019. Neste sábado (12), 38.201 sócios poderão votar – entre eles, 6.433 inscritos terão o direito de participar do processo eleitoral pela Internet – e escolherão entre a permanência de Romildo Bolzan (Chapa 1) na presidência ou creditar as esperanças no ex-jogador gremista Raul Mendes (Chapa 2), das 10h às 17h.

Para sorte de um ou azar do outro, a eleição presidencial ocorre antes das duas decisões da Copa do Brasil entre Grêmio e Atlético Mineiro, dia 23 em Belo Horizonte (MG) – ainda sem confirmação oficial se a partida será no Mineirão ou na Arena Independência – e 30 na Arena Porto Alegrense. Se o pleito estivesse agendado após a definição do campeão, teríamos tendências mais claras. Em caso de título, reeleição de Romildo; em caso de vice, previsível ascensão de Raul nas urnas.

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Possibilidade do quinta título da Copa do Brasil pode fazer os ventos soprarem a favor da reeleição de Romildo. Foto: Luciano Amoretti/Grêmio FPBA

Mesmo assim, sinto de longe que o momento é favorável a Romildo, movido pela esperança do torcedor pelo Penta da Copa do Brasil e pelo reconhecido trabalho de equilíbrio fiscal nas contas do clube, algo que foi uma das principais marcas de sua gestão nesse período de austeridade. Por essa razão, creio que o pêndulo esteja mais para o lado do dirigente.

Aliás, o discurso do atual presidente é claro: o de “arrumar a casa”, para investir mais no futebol no futuro. “O Grêmio ano que vem terá mais condições de investimento. Teremos condições financeiras melhores para disputar uma possível Libertadores”, disse o mandatário em coletiva no começo da semana.

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Raul aposta no foco dentro das quatro linhas e conta com apoio de Hugo De Leon e Danrlei. Foto: Luciano Amoretti/Grêmio FPBA

Raul, por sua vez, aposta em foco mais voltado ao futebol, recorre a nomes consagrados na história gremista, como o capitão gremista nos títulos do Mundial Interclubes e da Copa Libertadores da América em 1983, Hugo De León, e Fábio Koff Júnior, filho do ex-presidente Fábio Koff nas principais conquistas do clube nas décadas de 1980 e 1990, como integrantes garantidos no Conselho Administrativo da Chapa 2.

Além de De Léon, Raul também recebe o apoio do ex-goleiro gremista e deputado federal pelo PSD Danrlei Hinterholz, outro ícone de conquistas, desta vez dos anos de 1990. O discurso do ex-lateral-direito, revelado pelo Grêmio na década de 1980, é de que “a nossa chapa entende de futebol”, como resposta ao fato de Romildo chegar ao fim da sua atual gestão sem um título ainda.

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Os dois candidatos buscam angariar votos nas redes sociais. Imagem: Divulgação

Também com referências dentro de campo, Romildo respondeu com gestos de apoio de ex-jogadores como Dinho – vereador em Porto Alegre pelo DEM – e Paulo Nunes e Iura. Para integrar o novo Conselho Administrativo por meio da Chapa 1, o mandatário gremista vem com integrantes como o ex-presidente Duda Kroeff – gestor do último título gremista, em 2010, pelo Campeonato Gaúcho – e Adalberto Preis, vice-presidente nas conquistas da Libertadores e do Mundial em 1983.

Romildo e Raul passaram pela cláusula de barreira de 20% dos votos do Conselho Deliberativo no dia 25 de outubro, dando assim o direito a ambos de buscar os votos dos associados. Ao todo, 281 conselheiros, do total de 300, participaram da votação. No pleito, Romildo Bolzan conseguiu 160 votos, enquanto Raul alcançou 117 sufrágios. Houve também outros dois votos em branco e dois nulos.

Por não ter acompanhado mais a fundo o processo eleitoral do Grêmio, não tenho como cravar preferência por Romildo ou Raul. No entanto, pelo atual cenário, creio que o presidente gremista esteja com ventos direcionados para sua reeleição, embora o concorrente possa surpreender.